Por Tiago Moura
06 de outubro de 2026 às 08:37 ▪ Atualizado em 06/10 às 09:13
A juíza Keylla Ranyere Lopes Procópio, do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), determinou a soltura do vereador Valdemir Virgino, preso pela Polícia Federal na véspera da eleição, sob suspeita de crime eleitoral. A decisão também concedeu liberdade ao assessor do parlamentar, que permanecia preso.
Justiça manda soltar vereador Valdemir Virgino após três dias preso pela PF. Foto: Ascom Valdemir Virgino foi preso em flagrante no último sábado (03), em uma clínica da família, no Centro de Teresina. Segundo a investigação, os policiais apreenderam cerca de R$ 40 mil em espécie, material de propaganda eleitoral e uma lista de eleitores.
Ao todo, 18 pessoas foram presas durante a ação da Polícia Federal. Após a audiência de custódia, somente o vereador e o assessor tiveram a prisão convertida em preventiva. Valdemir nega as acusações.
Defesa alegou ausência de flagrante
O habeas corpus foi apresentado pelo advogado Carlos Douglas dos Santos, que argumentou que não existem motivos para manter o vereador preso. A defesa também destacou que Valdemir tem 65 anos e cinco mandatos eletivos.
Segundo o advogado, a operação teve início após uma denúncia anônima sobre uma suposta compra de votos na clínica. Para a defesa, os elementos encontrados pelos policiais não seriam suficientes para caracterizar o flagrante.
“Não houve flagrante delito nem prova de crime”, alegou a defesa no pedido de habeas corpus.
Ainda de acordo com o advogado, os valores encontrados seriam destinados ao pagamento de prestadores de serviços da campanha. A defesa sustenta que nenhum policial teria presenciado a prática de atos relacionados à compra de votos ou identificado eleitores que teriam sido coagidos ou corrompidos.
Polícia chegou ao vereador após abordar dois motociclistas
De acordo com as informações da investigação, a Polícia Federal chegou até Valdemir Virgino após abordar dois motociclistas que estavam com dinheiro.
Questionados sobre a origem dos valores, os dois homens teriam levado os policiais até a clínica. No local, o vereador foi preso em flagrante.
Durante a ação, foram apreendidos dinheiro, materiais de campanha e uma lista com nomes de eleitores.
Juíza impõe medidas cautelares
Na decisão que concedeu a liberdade, a magistrada substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares.
Entre as determinações estão:
Proibição de os investigados manterem contato entre si e com os outros 16 conduzidos que foram liberados mediante pagamento de fiança;
Proibição de Valdemir Virgino e do assessor deixarem a comarca sem autorização prévia do Juízo das Garantias.
Valdemir estava custodiado no 24º Distrito Policial de Teresina e deve deixar a unidade ainda na manhã desta terça-feira (06).
A decisão não encerra as investigações sobre a suposta prática de crimes eleitorais.
Determinação
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