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Ponto de Ruptura

Coluna assinada por Thiago Trindade, jornalista e publicitário há 14 anos. Provoca reflexões críticas sobre sociedade, política e negócios no Piauí e Brasil.
Ponto de Ruptura

Lindolfo Monteiro virou avenida grande. Só a Prefeitura ainda não percebeu

Acidentes seguidos no cruzamento da Avenida Lindolfo Monteiro com a Rua General Lages mostram como a zona leste de Teresina cresceu mais rápido que o planejamento viário da Prefeitura.

02 de outubro de 2026 às 13:47 ▪ Atualizado em 02/10 às 13:56

Ver resumo
  • A Avenida Lindolfo Monteiro está sobrecarregada devido ao crescimento urbano em Teresina, resultando em frequentes acidentes de trânsito.
  • A zona leste da cidade, que antes era predominantemente residencial, agora concentra comércio e serviços, intensificando o tráfego.
  • A estrutura atual é insuficiente: ruas estreitas, falta de sinalização adequada e fiscalizações esporádicas criam congestionamentos e desorientação.
  • Há pouca intervenção pública visível para melhorar o trânsito, e a comunicação entre autoridades e cidadãos é limitada.
  • A matéria questiona a falta de planejamento urbano e a ausência de diálogo sobre soluções para o trânsito da região.

A Avenida Lindolfo Monteiro já não cabe no tamanho que Teresina deu a ela. Em dois dias seguidos, o cruzamento da via com a Rua General Lages, na zona leste da capital, registrou dois acidentes. No primeiro, dois carros se chocaram. No segundo, uma moto terminou caída no asfalto. Os vídeos que acompanham esta matéria mostram o que quem passa por ali já sabe de cor.

Não é episódio isolado. Em abril de 2025, um carro invadiu uma farmácia no cruzamento da Lindolfo com a Avenida Homero Castelo Branco. O endereço muda de esquina, o problema continua o mesmo.

O novo centro que ninguém planejou

A zona leste deixou de ser apenas a área nobre de Teresina. Casas antigas viraram pontos comerciais, e o que era endereço residencial hoje concentra lojas de grife, os restaurantes mais disputados da capital e, agora, lojas de material hospitalar e até de plásticos.

O crescimento também sobe. Nas imediações das avenidas Dom Severino, Lindolfo Monteiro e Nossa Senhora de Fátima, os canteiros de obras de prédios de grande porte confirmam a aposta do setor imobiliário na região. A verticalização pode parecer lenta. Não é.

A cidade cresceu. A avenida, não. 

Com os prédios e as lojas vieram mais carros, mais pressa e nenhum olhar público proporcional. Ruas estreitas, sinalização vertical e horizontal insuficiente e uma fiscalização da Strans que pouco se vê entregam ao teresinense uma rotina diária de congestionamento e desorientação.

A Lindolfo Monteiro tem fluxo de avenida principal, mas não tem canteiro central. Na prática, qualquer motorista atravessa a via onde quiser, do jeito que der. Entre a Nossa Senhora de Fátima e a Homero Castelo Branco, são apenas dois semáforos. A rotatória em frente ao Hospital São Paulo mostra que a solução existe. Todos os cruzamentos desse trecho já pediam o mesmo cuidado.

Pisca-alerta ao meio-dia

A Avenida Homero Castelo Branco tem faixas de acesso. O problema é outro: só no trecho das escolas, são mais de cinco colégios, e em expansão, numa via que deveria ser de alto fluxo.

O resultado se repete ao meio-dia e no fim da tarde. É o carro parado com pisca-alerta no meio da avenida. É o pai com o filho no colo atravessando entre para-choques. A avenida que deveria ser de passagem rápida virou exceção para quem precisa cumprir horário.

Quem tenta escapar pelas vias vizinhas encontra o mesmo cenário. No cruzamento da Avenida Irapuã Rocha com a Jóquei Clube, a fila se forma do mesmo jeito, e o motorista esbarra de novo na má engenharia de trânsito que se espalha pela região.

A cidade das rotas curtas

O teresinense aprendeu a querer tudo perto e a fazer trajetos curtos. Não é só hábito. É consequência de uma cidade que nunca investiu de verdade em vias de fluxo rápido.

A expansão da zona leste seria a chance de discutir outro modelo urbano: calçadas mais largas, cruzamentos mais seguros e esquinas chanfradas, com o recuo em diagonal no alinhamento dos muros, como se vê em São Paulo, para que quem chega ao cruzamento enxergue quem vem do outro lado. Nada disso está em debate.

Quem responde?

Teresina sempre teve a vantagem de ser uma capital de porte médio, com tempo para crescer com planejamento. A falta de prioridade do poder público, somada a gestões que não enfrentaram o tema, está entregando um resultado que vai durar décadas.

A Prefeitura não apresenta movimento visível sobre o trânsito da região. O cidadão comum sequer sabe quem responde pelo setor. Há pouco diálogo com a população e com a imprensa para ouvir as demandas. E a Câmara Municipal, que deveria discutir a Teresina do futuro, parece ter esquecido a cidade e a importância do próprio mandato.

O Ponto de Ruptura

Uma cidade que não discute o futuro recebe exatamente o presente que tem.

A Lindolfo Monteiro já é avenida grande. A Prefeitura ainda a trata como rua de bairro.

Quantos vídeos mais serão necessários? Quando a Strans vai olhar para esse cruzamento como ele é hoje, e não como era há vinte anos?

E no seu bairro, como está o trânsito? Que solução você daria? Flagrou um problema? Envie seu vídeo para o WhatsApp do Lupa 1: (86) 98127-8181.

O espaço do Portal Lupa 1 está aberto para a Prefeitura de Teresina e a Strans se manifestarem.

*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.




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