Tony Trindade

Personagens que se vão

Personagens que se vão

Nós tentamos falar menos dessa maldita Covid-19, buscamos outros assuntos, procuramos coisas mais leves, mas é inevitável não tratar dela. O seu trágico avanço exige que falemos, que alertemos, que cobremos, que choremos. 

O momento é de dor, de preocupação, de hospitais lotados, de gente morrendo no chão de unidades de saúde ou mesmo em casa a espera de uma vaga de UTI. Diante de tudo isso, não dá para não falar da Covid-19. 

Aqui mesmo, nesta coluna, se busca outros temas, mas na maioria das vezes ao longo das últimas semanas esse texto de abertura tem sido, de algum modo, relacionado à pandemia. 

Hoje, não vai ser diferente. Essa crise de saúde há muito tempo já virou tragédia, e das grandes. Nesse grave momento da segunda onda, a pandemia vem ainda mais avassaladora e a cada dia tira vidas. Vidas que importam! Toda vida importa! 

Ontem (19), uma dessas vidas perdidas foi a do nosso querido seu Abrahão, dono do suco mais tradicional da capital piauiense. Um personagem histórico da nossa cidade, com mais de 60 anos vendendo seu suco no Centro de Teresina. Virou um ícone da cidade, querido e admirado. 

Seu Abrahão tinha 92 anos e foi mais uma vítima da Covid-19. Esse vírus tem nos mostrado que não escolhe seus alvos. Ele mata anônimos, famosos, pobres, ricos, pretos, brancos, analfabetos, intelectuais. Ele mata personagens dos bairros, das cidades, dos estados, do país e nos deixa órfãos de quem se confundia com a história do lugar em que vivemos. 

Foi assim que a Covid fez com Seu Abrahão, um ilustre personagem de Teresina. O vírus o tirou do nosso convívio, mas jamais vai tirar o seu legado e as boas lembranças que a cidade tem dele. Seu Abrahão, presente!

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