O ano começa agora e as eleições de 2026 também
Ignorar isso pode sair caro.
Acabou o carnaval. Os bloquinhos já passaram pelas avenidas, o churrasco em família terminou, o despertador voltou a tocar bem cedo, e os foliões, ressacados, encaram a dura realidade: o ano começou para valer. Mas, se para o cidadão comum isso significa boletos, prazos e reuniões intermináveis, para quem respira política, o jogo agora é outro. Começou a corrida para 2026. Sim, e quem ainda não percebeu isso já saiu perdendo.
Se você é daqueles políticos que acreditam que o marketing só deve começar no ano da eleição, parabéns, você está na contramão do mercado. Em 2026, o que estará em jogo não é apenas um mandato, mas a construção de uma identidade política forte o suficiente para convencer um eleitor cada vez mais desconfiado, digital e impaciente.
A esta altura do campeonato, não basta apenas “estar nas redes sociais”. É preciso saber “comunicar nelas”. O eleitor não quer mais ver postagens burocráticas, fotos posadas em eventos ou aquele velho texto genérico agradecendo “o apoio de sempre”. Ele quer se enxergar no político. Quer conteúdo que dialogue com sua realidade. Quer saber quem realmente tem soluções e novas ideias para os problemas do Brasil, do Piauí e, mais do que isso, quer sentir que sua voz está sendo ouvida.
Para os que já ocupam mandatos, a missão é clara: fortalecer a visibilidade. O eleitor precisa ver e sentir os efeitos das ações políticas, não apenas ouvir falar delas. Estratégias de marketing político bem estruturadas devem transformar cada conquista, cada projeto e cada iniciativa em conteúdo que engaje, emocione e gere reconhecimento. Informação e entretenimento andam juntos. Sem isso, seu mandato pode até existir no papel, mas não na cabeça das pessoas.
O Governo Federal já entendeu isso e começou a movimentar sua comunicação institucional para novos formatos. O último pronunciamento oficial do presidente Lula sobre os programas Pé-de-Meia e Farmácia Popular adotou uma linguagem mais lúdica, emotiva e ilustrativa, aproximando-se da estética de campanhas eleitorais. O resultado? O material antes “duro” e “frio” ganhou apelo popular e virou até tema de debate no meio político e de comunicação. Agora, publicidade governamental e ações administrativas parecem andar de mãos dadas – e isso funciona.
Aqui no Piauí, a principal mudança até agora foi no staff governamental. O atual secretário de Estado de Governo, Marcelo Nolleto, assumirá a Secretaria de Comunicação do Estado. Com esse gesto, o governador Rafael Fonteles deixou um recado claro: é preciso mudar a comunicação institucional do governo. E ele tem um desafio grande pela frente. Eleito, recentemente, presidente do Consórcio Nordeste, o governador precisa projetar e fortalecer sua imagem e suas ações não apenas dentro do estado, mas também no cenário regional e nacional.
Agora, o ponto crucial: o governador busca a reeleição em 2026. Mas, antes de qualquer movimento político, ele precisa responder à pergunta que realmente importa: quais transformações sua gestão trouxe para a vida do piauiense? E mais, até aqui, a comunicação do governo construiu um muro ou uma ponte entre a gestão e o cidadão? O novo secretário de comunicação já tem por onde começar.
Já para os aspirantes a cargos eletivos, a tarefa é ainda mais árdua. Antes de querer votos, é preciso construir viabilidade. Ninguém vota em quem não conhece. E é aí que entra o marketing político: criar uma narrativa, consolidar uma persona política e tornar-se referência em nichos específicos. Não basta surgir só na época da eleição com um jingle chiclete e um sorriso forçado no mercado municipal. O eleitor percebe a diferença entre quem está presente e quem só aparece quando precisa.
Posicionamento de mercado, segmentação de público, análise de dados, storytelling político – tudo isso já deixou de ser diferencial e virou pré-requisito. O político que compreende e aplica essas ferramentas se torna relevante, acessível e, acima de tudo, real. Já aquele que ignora esses princípios continuará refém da sorte e do improviso – e sabemos que, na política, gambiarra tem prazo de validade.
Então, caro político (ou futuro político), pare de adiar o inevitável. O bloco já está na rua, e 2026 já começou. A pergunta é: você está pronto para ser protagonista ou vai se contentar com um papel figurativo?
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