De Olho nas Cidades

Parnaíba perde recurso extra da educação por não reduzir desigualdade entre alunos

Segunda maior cidade do estado está entre as 60 do Piauí inabilitadas a receber repasse federal em 2026

Por Mikeias di Mattos

10 de junho de 2026 às 06:45


Parnaíba está na lista das sessenta cidades piauienses que ficaram fora de repasse federal voltado à educação neste ano. A segunda maior cidade do estado foi considerada inabilitada a receber o recurso adicional em 2026 e passou a ser acompanhada pelo Ministério Público dentro de uma série de procedimentos abertos para cobrar os municípios atingidos.

 Secretaria Municipal de Educação de ParnaíbaSecretaria Municipal de Educação de Parnaíba   

O dinheiro em questão é uma parcela extra do principal fundo da educação básica do país. Diferente do repasse comum, essa parte só chega às prefeituras que cumprem metas de gestão e de melhoria do ensino, funcionando como um prêmio para quem avança em qualidade.

No caso de Parnaíba, a rede municipal não atendeu à meta de redução das desigualdades de aprendizagem, aquela que mede se alunos pretos, pardos, indígenas e de menor renda estão acompanhando o desempenho dos demais estudantes. Por não cumprir esse critério, a cidade foi declarada inabilitada para o repasse deste ano.

Os dados oficiais mostram um detalhe importante. Mesmo tendo avançado nos indicadores de aprendizagem e de atendimento escolar, o município ainda assim não alcançou o patamar exigido na meta de equidade, o que foi suficiente para deixá-lo de fora do recurso. A cidade também não cumpriu outras duas exigências do programa no mesmo período.

 Parnaíba perde recurso extra da educação por não reduzir desigualdade entre alunosParnaíba perde recurso extra da educação por não reduzir desigualdade entre alunos   

A situação tem peso ainda maior em uma cidade do porte de Parnaíba, onde quase metade dos estudantes da rede pública é formada por alunos pretos, pardos e indígenas, justamente o grupo que a meta busca proteger.

A perda desse repasse significa menos dinheiro para a educação local em um momento em que o recurso faria diferença na estrutura das escolas e na formação dos professores. Nos procedimentos abertos, as prefeituras e as secretarias de educação são notificadas a explicar por que descumpriram as metas e a apresentar um plano para regularizar a situação.

O Ministério Público tem alertado nos últimos dias que a falta de medidas eficazes nos próximos anos pode levar à responsabilização dos gestores pela perda continuada dos recursos. As cidades têm prazo para responder e indicar o que está sendo feito para voltar a cumprir as exigências.




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