Gustavo Almeida

O dinheiro acima da vida

Opinião: lógica mercantilista não deveria existir numa tragédia que atinge a todos.

Desde março de 2020 o mundo vive uma pandemia. Já são, até aqui, mais de 123 milhões de casos confirmados e 2,7 milhões de mortes decorrentes do novo coronavírus ao redor do planeta. Se lembrarmos que cada vítima tem parentes que choram sua perda, a dimensão da tragédia é ainda maior. A pandemia da Covid-19 é, sem dúvida, um dos desafios mais dolorosos enfrentados pela humanidade nos últimos 100 anos.

O vírus não escolhe vítimas. Ele mata nos países ricos e nos países pobres. Causa dor em famílias abastadas e nas famílias humildes. Está nas principais metrópoles do mundo e nos confins mais longínquos. A pandemia do coronavírus é uma tragédia mundial que afeta a humanidade como um todo, na vida, na economia, nas relações sociais, etc.

Mas, em meio a todo esse cenário de dor, de perdas econômicas e milhões de mortes, o homem ainda prioriza o dinheiro em detrimento da vida. Vejamos o exemplo das vacinas: com o avanço da pandemia, houve uma corrida mundial pelo desenvolvimento de imunizantes contra o novo coronavírus. Ainda em 2020, as primeiras foram anunciadas. Porém, as nações que têm dinheiro e poder saem em vantagem.

Muitas nações pobres ainda lutam para conseguir vacinas e encontram dificuldades para imunizar suas populações. Para se ter uma ideia, até o final de fevereiro, África, América Central e América do Sul tinham sido responsáveis por apenas 6% de todas as doses aplicadas no mundo. Já países da Ásia, Europa e América do Norte, juntos, eram responsáveis, até ali, pelo uso de 94% dos imunizantes contra a Covid-19.

Pode até acharem ingenuidade deste jovem jornalista, mas se o Homem tivesse o verdadeiro sentido de humanidade, não deveria haver essa lógica mercantilista com vacinas. A humanidade está sendo acometida por um vírus, pessoas estão morrendo em todos os cantos do planeta, a economia está sendo destroçada em vários países. Não é um problema de uma só nação, é um problema do mundo, da humanidade.

Numa tragédia mundial como essa, patentes de vacina deveriam ser quebradas. Diante de um vírus que assusta a humanidade, vacina deveria ser um bem comum, disponibilizado para todos, sem guerra comercial, sem interesses econômicos, sem mercantilismo. As grandes nações deveriam se unir para ajudar os países pobres e garantir que as vacinas chegassem a todas as pessoas. Somos todos vidas.

Não é justo que alguns povos sejam privilegiados em detrimento de outros numa situação desta. É claro que desenvolver vacina custa dinheiro, que pesquisas precisam ser financiadas e que a ciência avança com investimento. Porém, o mundo não pode pensar em dinheiro na hora de combater uma tragédia que atinge todos os povos em cada canto da Terra. É questão de sobrevivência, é questão de curar o mundo do vírus.

Todas as nações ricas e os laboratórios que produzem vacinas tinham que se unir. Pelo bem da humanidade, as doses deveriam levadas a cada canto do mundo, sem interesses comerciais. Não é justo que o Homem priorize dinheiro, poder, questões diplomáticas ou o que quer que seja no momento em que um vírus ameaça povos em todo o planeta.

Gustavo Almeida, jornalista.

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