02 de junho de 2024 às 17:13 ▪ Atualizado há 3 meses
A barragem Caldeirão, localizada na zona rural de Piripiri, a 150 km de Teresina, é um dos maiores açudes do Piauí. Construída entre as décadas de 30 e 40 pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), a barragem do Açude Caldeirão começou a ser projetada ainda na década 1930.
De acordo com o setor de história do Dnocs, o manancial foi planejado com a finalidade de fornecer água para os moradores da região e para a regularização do rio Caldeirão, garantindo a irrigação das férteis várzeas da região, que se tornavam despovoadas nos períodos de secas, como aconteceu entre 1900 e 1932.
Construção do Açude Caldeirão, em Piripiri, foi um marco para toda a região (Divulgação/Dnocs)
Ainda conforme o Dnocs, os primeiros estudos do açude se iniciaram em 1933 e finalizaram em 1934. Segundo os relatórios técnicos, os primeiros estudos ainda não foram suficientes para o início das obras, então foram solicitadas novas pesquisas. Satisfeitas essas exigências, passou-se, então, a escolha das soluções para a obra. O resultado dos estudos foi enviado ao inspetor por meio de um telegrama em 9 de outubro de 1935, solicitando o “reconhecimento cuidado da bacia de irrigação com assistência agrônomo reflorestamento”.
Em solução ao telegrama citado, a Inspetoria resolveu mandar projetar o açude Caldeirão. A barragem foi construída numa região chamada "lagôa", a 9 km da cidade, denominada na época de Perypery. Um trecho do relatório final do projeto do açude descreveu em detalhes a necessidade da barragem. Nesta reportagem, o Lupa1 manteve os termos usados no telegrama conforme era usual na escrita da época.
“Lagôa está ligada por estrada carroçável a Perypery, que é, actualmente, estação terminal da estrada de ferro de amarração. Essa região próspera e fértil nas épocas em que as chuvas se distribuem com regularidade, tornou-se inabitável nos períodos de sêcca - tal como se verificou em 1900, 1908, 1915, 1919, 1927 e 1932 - em que a população teve que emigrar. Daí a ideia de se construir um reservatório para, de um lado, atender às necessidades dos habitantes e criação regionais, e de outro garantir a irrigação das férteis várzeas do rio Caldeirão, bem como a exploração de optimas vazantes em sua bacia hydaulica”, dizia o relatório.
Açude cheio pela primeira vez após inauguração, que aconteceu no ano de 1945 (Divulgação/Dnocs)
Em 1936, findados os estudos iniciais, começaram a ser elaborados os desenhos do projeto executivo. A construção do Açude Caldeirão foi iniciada em 01 de abril de 1937 e concluída em meados de 1945. O rio Caldeirão é um afluente do rio dos Matos e engloba o sistema hidrográfico do rio Parnaíba. Hoje, é o um dos mais famosos açudes do norte do Piauí e principal atração turística de Piripiri.
As águas do Caldeirão chamam a atenção de muitos turistas, o que proporciona um verdadeiro polo de lazer ao redor do açude, com bares e restaurantes, onde visitantes podem aproveitar banho e prática de esportes aquáticos como andar de jet-ski ou fazer canoagem.
Açude Caldeirão na atualidade (Reprodução/Internet)
A área onde hoje fica Piripiri começou a receber os primeiros habitantes em meados de 1844, quando o Padre Domingos de Freitas e Silva, vindo buscar refúgio após ter lutado pela independência do Piauí, construiu uma casa em um local denominado Anajás, e depois, uma capela dedicada à Nossa Senhora dos Remédios, que é a atual padroeira da cidade. Ali o padre passou a viver com sua família, trabalhando com agricultura e criação de gado.
Piripiri com seus habitantes começou a ter o aspecto de uma vila em 1857 e, em 1910, a vila foi finalmente elevada à categoria de cidade. Em julho deste ano, o município vai completar 114 anos de emancipação.
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