Tony Trindade

O Judiciário em descrédito

Resultado do julgamento da suspeição do ex-juiz federal Sérgio Moro no caso do triplex do Guarujá deixou brasileiros confusos..

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou ontem (23) o julgamento da suspeição do ex-juiz federal Sérgio Moro no caso do triplex do Guarujá. A ação foi movida pela defesa do ex-presidente Lula (PT), condenado por Moro no processo do triplex. 

O placar terminou em 3x2 pela declaração de parcialidade do então juiz, exatamente como pedia a defesa de Lula. Ou seja, o STF decidiu que Sérgio Moro agiu com parcialidade ao condenar o ex-presidente.

Mas o título desse texto não está relacionado ao fato de a decisão ser ou não justa. Longe disso! Ele se refere à bagunça que virou o Judiciário brasileiro. O placar estava em 2x2 e faltava o voto do ministro piauiense Kassio Nunes Marques. A turma tem cinco ministros. Nunes Marques votou contra a suspeição de Moro e deixou o placar em 3x2. A história poderia ter acabado ali. Porém, a ministra Cármen Lúcia, que já havia votado contra a suspeição de Moro em dezembro de 2018, pediu para fazer nova manifestação de voto. 

Ela mudou o voto e inverteu o placar, definindo a situação em 3x2 contra Moro e a favor de Lula. São essas situações que levantam uma pulga atrás da orelha dos brasileiros, já tão descrentes na justiça e na política. 

O que levou Cármen Lúcia a mudar de voto ao analisar a mesma situação e os mesmos fatos que havia analisado em 2018? Essa pergunta também seria feita em caso contrário, ou seja, se algum ministro que votou pela suspeição de Moro tivesse mudado o voto e agora se posicionado contra. 

Essas coisas são difíceis de entender. Uma Corte que uma hora decide uma coisa e outra hora decide outra coisa ao analisar uma mesma coisa. Por isso o nosso Poder Judiciário está em descrédito. Não é porque foi contra ou a favor do Moro, mas pelo vai-e-vem de posições e decisões.

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