Maranhão em Foco

"Ele escolhia crianças que possuíam o autismo não verbal", diz delegado sobre ex-diretor preso por estupro

Alberto Luiz foi preso pela primeira vez em maio deste ano, após denúncias de pais de alunos da creche onde atuava como diretor-adjunto.

Por Tiago Moura , Thawan Melo

10 de julho de 2026 às 17:16 ▪ Atualizado há 2 horas


O ex-diretor-adjunto de uma creche em Timon (MA), Alberto Luiz, de 49 anos, investigado por estupro de vulnerável, mantinha um caderno com os nomes de crianças e seus respectivos níveis de autismo. Segundo a Polícia Civil, ele selecionava vítimas com autismo não verbal para dificultar a descoberta dos crimes.

 "Ele escolhia crianças que possuia o autismo não verbal", afirma delegado sobre provas que incriminam ex-diretor. Foto: Reprodução   

A informação foi confirmada nesta sexta-feira (10) pelo delegado regional Cláudio Mendes, responsável pelas investigações.“Durante a busca realizada na residência dele, foi encontrado um caderno com o nome dessas crianças e o grau de autismo. Ele escolhia as crianças com autismo não verbal, que não falavam, justamente para cometer o crime e garantir a impunidade”, afirmou o delegado.

Investigação

Alberto Luiz foi preso pela primeira vez em maio deste ano, após denúncias de pais de alunos da creche onde atuava como diretor-adjunto.

De acordo com a Polícia Civil, imagens das câmeras de segurança mostram o investigado retirando crianças das salas de aula sob o pretexto de oferecer reforço escolar. Em seguida, elas eram levadas para um depósito localizado próximo à diretoria, único ambiente da unidade sem monitoramento por câmeras.

Segundo o delegado, o suspeito repetia sempre o mesmo método

“Ele, como diretor adjunto, ia à sala de aula e pegava a criança com a desculpa de dar uma aula de reforço, que ia ajudar, porque a professora estava só. Ele retirava essas crianças, cometia o abuso sempre na mesma sala, era o mesmo modus operandi e, após o abuso, dava um brinquedo, uma bola ou uma boneca”, disse o delegado.

As investigações também apontam que o então diretor afastava a funcionária responsável pelos alunos antes de levar as crianças ao depósito, evitando a presença de testemunhas.

Nova prisão

Em junho, a Justiça revogou a prisão preventiva de Alberto Luiz por entender que houve excesso de prazo na conclusão do inquérito e no oferecimento da denúncia pelo Ministério Público. Com isso, ele passou a responder ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

No entanto, segundo a polícia, o investigado rompeu o equipamento de monitoramento no último dia 5 de julho e descumpriu outras determinações judiciais. Além disso, novas denúncias contra ele surgiram durante as investigações.

O chefe de investigação Joélio Borges informou que Alberto Luiz ainda tentou despistar os policiais

"Depois que ele rompeu a tornozeleira e teve a prisão decretada, houve o trabalho da imprensa em divulgar. Diante da repercussão, ele voltou a carregar a bateria da tornozeleira depois de três dias. Por isso conseguimos localizá-lo hoje pela manhã", informou o investigador Joélio Borges.

Alberto Luiz foi preso novamente nesta sexta-feira (10), em Teresina, e permanece à disposição da Justiça. Ele deverá passar por audiência de custódia.

Segundo o delegado Cláudio Mendes, o conjunto de provas reunidas é consistente.

“Existem provas testemunhais, perícias do Instituto Médico Legal, imagens das câmeras e um conjunto muito grande de indícios contra ele. Ele já é réu no processo criminal e a expectativa é que permaneça preso durante a tramitação da ação”, concluiu.




Assine a Newsletter do Portal Lupa1

De segunda a sexta, um resumo dos fatos que importam, direto no seu e-mail e de forma gratuita.