A lição do delegado Barêtta: é preciso unir

O coordenador do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) fez um desabafo sobre a segurança pública e integração das forças de segurança.

Só no último final de semana no Piauí, o Estado registrou pelo menos dois eventos de ações criminosas tendo como alvo instituições bancárias. O primeiro foi na cidade de Miguel Alves, região da grande Teresina, onde pelo menos cinco criminosos armados com fuzis explodiram a agência do Banco do Brasil na cidade e ainda levaram cinco pessoas como reféns.

Delegado Barêtta / Foto: Acadepol

Ainda no mesmo dia, na capital, a audácia dos criminosos foi tamanha que os assaltantes renderam um vigilante e explodiram o posto da CAIXA do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PI), onde nem o grande letreiro com o símbolo e nome da “JUSTIÇA ELEITORAL”, foi capaz de intimidar os foras da lei. Ou seria esse, justamente, o ponto? Tamanha impunidade que provém desta? ( JUSTIÇA ) . Mas a intensidade das ações delituosas na capital seriam reflexos da (in)segurança pública, ou simplesmente da falta de integração entre as instituições?

O delegado coordenador do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Francisco Costa, o Barêtta, durante entrevista, chama atenção, insistentemente, para essa falta de integração, que resulta em pouca ou nenhuma efetividade das ações policiais, o que por sua vez, traz o aumento da criminalidade e sensação de insegurança para a população.

“Todos os anos tem eleição e candidatos dizem que querem ir ao Congresso Nacional porque querem alterar as leis porque as que estão aí são muito benéficas para bandidos, isso eu escuto há 40 anos que estou na polícia, essas medidas cautelares são de uma lei nova, o que beneficia bandido, o que nós estamos precisando não é de alteração no código penal, nem leis extravagantes, o que estamos precisando é de rigor na interpretação e aplicação das leis em prol da sociedade e não um garantismo penal à brasileira”, declarou Barêtta.

A declaração mais parece um desabafo de um agente da segurança pública, como é Barêta, abnegado e um dos mais empenhados em cumprir o seu dever, mas que vê quase que diariamente seu trabalho de investigação que às vezes leva semanas, meses e até anos, ir por água abaixo com a simples canetada de um juiz.

Contudo, em tempos onde chegou-se a cogitar criminalizar até interpretação do juiz com o advento da famigerada lei de abuso de autoridade, com o chamado “crime de hermenêutica”, poderíamos pensar que até os togados estariam de mãos atadas.

Contudo, um amplo acordo envolvendo segurança pública e judiciário pode ser a solução. Se não fosse, já resolveria muito. Quem dará o primeiro passo?


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