De Olho nas Cidades

Promotora pede suspensão de shows com custo de R$ 700 mil em Curral Novo

Os shows seriam das atrações Rey Vaqueiro, contratado por R$ 250 mil, e Seu Desejo, por R$ 450 mil

Por Mikeias di Mattos

09 de outubro de 2025 às 21:28 ▪ Atualizado em 26/08 às 18:48

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  • O Ministério Público do Piauí, via Promotoria de Justiça de Simões, entrou com Ação Civil Pública para barrar shows da Prefeitura de Curral Novo do Piauí.
  • Shows estavam programados para a 5ª Cavalgada, em 19 de outubro.
  • Os shows, de Rey Vaqueiro e Seu Desejo, custariam R$ 700 mil.
  • Promotora Tallita Luzia Bezerra Araújo argumenta que o gasto é incompatível com a situação financeira do município, sob decreto de emergência por estiagem.
  • 60% do gasto seria de recursos municipais, correspondendo a 1,26% da receita anual.
  • Falta de documentação detalhada das fontes de financiamento foi citada.
  • MPPI alega que a despesa desrespeita princípios de moralidade, legalidade e razoabilidade.
  • Tribunal de Contas do Estado recomendou evitar despesas elevadas em tempos de crise.
  • Ação requer suspensão dos contratos e devolução de valores já pagos, além do cancelamento oficial do evento.

O Ministério Público do Estado do Piauí, por meio da Promotoria de Justiça de Simões, ajuizou Ação Civil Pública com pedido de liminar para impedir a realização de dois shows contratados pela Prefeitura de Curral Novo do Piauí, administrada pelo prefeito Edgar Francisco do Nascimento Júnior, mais conhecido como Juninho de Marinalva, durante a 5ª Cavalgada do município, marcada para o dia 19 de outubro.

 Shows custarão R$ 700 milShows custarão R$ 700 mil   

A promotora Tallita Luzia Bezerra Araújo sustenta que os gastos, que somam R$ 700 mil, representam uma despesa incompatível com a realidade financeira do município, atualmente incluído no decreto estadual de emergência por estiagem. Segundo o MP, 60% dos recursos utilizados nos contratos são provenientes dos cofres municipais, o que equivaleria a 1,26% de toda a receita orçamentária anual de Curral Novo.

De acordo com a ação, o município não apresentou documentos detalhando as fontes de recursos, contratos, planilhas de custos ou relatórios da Defesa Civil, limitando-se a informar que os valores seriam parcialmente custeados por emendas parlamentares e parcerias privadas, sem comprovação formal.

Os shows seriam das atrações Rey Vaqueiro, contratado por R$ 250 mil, e Seu Desejo, por R$ 450 mil. O MPPI afirma que, diante do cenário de seca e da carência de serviços essenciais, o gasto com as apresentações “afronta os princípios da moralidade, legalidade e razoabilidade” previstos no artigo 37 da Constituição Federal.

A promotoria destacou ainda que o Tribunal de Contas do Estado já emitiu recomendação aos prefeitos para evitar despesas vultosas com festas e contratações artísticas durante períodos de crise econômica ou sanitária, sob risco de configurar despesa pública ilegítima.

Na ação, o MP requer a suspensão imediata dos contratos e pagamentos relativos aos shows, bem como a devolução de eventuais valores já repassados às produtoras, além da divulgação oficial do cancelamento do evento nos canais institucionais do município.

A 5ª Cavalgada de Curral Novo do Piauí estava prevista para ocorrer em 19 de outubro de 2025, e o valor total da causa foi fixado em R$ 700 mil.




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