Brasil

Moraes aponta “escolha seletiva” em documentos do caso Master e pede fim de sigilos

Ministro do STF também solicitou que pedido de investigação contra André Mendonça seja julgado junto com ação apresentada contra ele.

Por Viviane Augusta

11 de setembro de 2026 às 14:23 ▪ Atualizado em 11/09 às 14:41

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  • Alexandre de Moraes questiona a divulgação seletiva de documentos no caso Master e pede a retirada ampla do sigilo.
  • Moraes argumenta que manter documentos sob sigilo impede uma análise completa das investigações.
  • Existem 180 documentos ainda sob sigilo, incluindo investigações sobre repasse de verba para filme de Jair Bolsonaro e ligação de Jaques Wagner.
  • Moraes solicita que seu pedido de investigação contra André Mendonça seja incluído em sessão plenária do STF.
  • Moraes e Mendonça estão em conflito sobre a divulgação dos documentos da Operação Compliance Zero.
  • A operação investiga fraudes financeiras e corrupção envolvendo o antigo Banco Master.
  • Documentos divulgados sugerem proximidade entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
  • Moraes nega contato com Vorcaro e questiona as evidências utilizadas contra ele.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, questionando a forma como documentos relacionados ao caso Master vêm sendo divulgados.

 Fachada do Banco Master em São Paulo - Foto: Rovena Rosa/Agência BrasilFachada do Banco Master em São Paulo - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil   

Moraes apontou uma suposta “escolha seletiva” na retirada dos sigilos pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e pediu que todos os documentos relacionados à Operação Compliance Zero tenham o sigilo retirado, com exceção de informações cuja manutenção seja considerada indispensável para diligências em andamento.

Na quinta-feira (10), Mendonça havia retirado o sigilo de 15 procedimentos derivados da operação, após uma solicitação feita por Fachin. O presidente do STF havia determinado a divulgação dos documentos, ressalvando apenas aqueles cujo sigilo fosse necessário para preservar medidas investigativas.

Segundo Moraes, ainda existem 180 documentos mantidos sob sigilo. O ministro argumenta que a manutenção dessas informações impediria os demais integrantes da Corte de analisar de forma completa os elementos relacionados às investigações.

Entre os procedimentos que permanecem sob sigilo estão apurações envolvendo um suposto repasse de R$ 61 milhões para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Também há uma investigação relacionada à ligação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o advogado Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.

Pedido de julgamento conjunto

No mesmo documento, Moraes pediu que seu pedido de investigação contra Mendonça seja incluído na sessão plenária do STF marcada para a próxima terça-feira (15).

Fachin havia colocado em pauta apenas um pedido de investigação apresentado por Mendonça contra Moraes. Para o ministro, os dois casos estão diretamente relacionados e deveriam ser analisados conjuntamente para evitar decisões conflitantes e problemas no andamento dos processos.

A crise entre os ministros se intensificou após a divulgação de documentos da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras bilionárias e corrupção de agentes públicos envolvendo o antigo Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Entre os materiais tornados públicos estão mensagens que teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Os investigadores apontam que o conteúdo indica proximidade entre os dois e mencionam um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Moraes nega ter mantido contato com Vorcaro. O documento usado anteriormente para sustentar suspeitas de direcionamento das investigações contra Mendonça também é alvo de questionamentos, já que não possui assinatura ou identificação formal da Polícia Federal e informa que se trata de uma análise sem valor probatório.




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