Penal 360

Análises jurídicas diretas sobre o impacto das decisões do Judiciário. Por Ricardo Henrique, advogado criminalista.
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Evolução do Crime Organizado: Dos Três Poderes à Cúpula da Fé

Operações como a Lava Jato, a Greenfield e, mais recentemente, a Compliance Zero, mostram que, sem uma mudança profunda na cultura e na formação das próximas gerações, o padrão de impunidade tende a se repetir.

Por Ricardo Henrique Araújo Pinheiro

23 de junho de 2026 às 10:59 ▪ Atualizado há 56 minutos

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  • Há uma evolução na criminalidade econômica e nas organizações criminosas, que agora buscam integrar os três Poderes da República.
  • As organizações criminosas estão adotando modelos mais sofisticados, deixando de se concentrar apenas em crimes tradicionais.
  • O perfil dos líderes criminosos mudou para indivíduos altamente educados e influentes na sociedade e política.
  • A legislação sobre lavagem de dinheiro evoluiu para incluir qualquer infração penal como origem de recursos ilícitos.
  • As investigações de grandes operações financeiras são conduzidas pela Polícia Federal devido à competência legal.
  • Casos como o do Banco do pastor Edir Macedo mostram a interligação das estruturas criminosas com os poderes políticos e religiosos.
  • O sistema de corrupção é estrutural e exige mudanças profundas na cultura e na formação das futuras gerações para evitar a repetição do padrão de impunidade.

Aqui se percebe uma clara evolução da criminalidade econômica e das organizações criminosas. Até pouco tempo atrás, não se cogitava que, para uma organização criminosa ser realmente estruturada, os três Poderes da República — Legislativo, Executivo e Judiciário — precisassem integrar sua estrutura.

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As organizações criminosas deixaram de se contentar com crimes tradicionais, como tráfico de drogas ou sequestro. Com o avanço das investigações da Polícia e do Ministério Público sobre crimes de colarinho branco e contra o sistema financeiro nacional, elas perceberam que era necessário um modelo mais sofisticado.

O perfil do chefe de organização criminosa também mudou. Não se trata mais de uma figura violenta e de baixa escolaridade, mas de alguém extremamente educado, que circula na alta sociedade e nos círculos de poder. Embora mantenha um braço armado, o líder atual não é violento e opera na cúpula dos três Poderes.

Essa transformação se reflete também na evolução da legislação. A Lei de Lavagem de Dinheiro deixou de exigir um rol taxativo de crimes antecedentes e passou a considerar qualquer infração penal como possível origem de recursos ilícitos. Como as grandes operações que envolvem o sistema financeiro nacional são de competência da Justiça Federal, a investigação fica a cargo da Polícia Federal — não por superioridade técnica, mas por questão de atribuição legal.

 Ricardo PinheiroRicardo Pinheiro   

A recente operação envolvendo o Banco do pastor Edir Macedo ilustra bem essa nova realidade. O que antes parecia um embrião de investigação pode revelar uma estrutura que alcança não apenas os três Poderes, mas também a cúpula de instituições religiosas.

O sistema de corrupção no Brasil é estrutural, não pessoal. Por isso, quando as investigações chegam ao núcleo do poder político, surgem teses jurídicas que frequentemente anulam os avanços obtidos. Operações como a Lava Jato, a Greenfield e, mais recentemente, a Compliance Zero, mostram que, sem uma mudança profunda na cultura e na formação das próximas gerações, o padrão de impunidade tende a se repetir.




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