Tony Trindade

O velho discurso do sucateamento

Acusações sobre má gestão de municípios é esperado durante mudança de mandato no estado do Piauí.

Janeiro vai entrar e logo teremos mais uma temporada de discursos dos novos prefeitos falando em municípios sucateados. 

Todas as vezes que muda de gestão é comum vermos os novos gestores acusarem os antecessores de deixarem frota sucateada, prédios públicos abandonados, serviços paralisados e contas de energia em atraso nas prefeituras. 

É verdade que esse tipo de situação existe em muitos lugares, principalmente no interior, mas em vários casos o que mais se tem é exagero e pura vontade de macular o adversário que o antecedeu. Além disso, o discurso da herança maldita é também uma forma de ir justificando a inércia no começo de gestão, com aquela velha alegação de que vai levar um tempo para "arrumar a casa" e só depois colocar a administração nos trilhos. 

Em janeiro de 2017, ano da última mudança de gestão, foi uma farra de prefeitos alegando sucateamento nos municípios e decretando emergência no começo dos mandatos. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) teve que ir conferir vários desses casos e, na maioria deles, constatou que não havia necessidade de tamanho alarde e muito menos para a decretação de emergência. Quase todos os decretos caíram. 

Quem mora no Piauí sabe que os descasos de prefeitos são comuns e chega a nos causar repulsa, mas não é interessante cair na lábia e comprar, sem análise, o discurso de quem chega alegando um cenário de terra arrasada. O mais incrível é que alguns que chegam alegando o sucateamento já foram igualmente acusados por adversários de terem entregue, no passado, os municípios nas mesmas condições.

 E sempre fica aquele jogo característico de política provinciana. Quando um grupo sai, acusa o outro. Quando o outro volta, acusa o que sai.

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