Polícia

Suspeito de atropelar policial penal e a filha é preso em Teresina

Secretaria da Segurança Pública tem intensificado o combate à embriaguez ao volante, diante dos riscos que esse tipo de conduta representa para toda a sociedade.

Por Tiago Moura

01 de julho de 2026 às 08:32 ▪ Atualizado há 1 hora


O motorista investigado por atropelar o policial penal Gilvan Furtado Leite e a filha dele, uma jovem de 20 anos com transtorno do espectro autista (TEA), foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (01), no bairro Promorar, zona Sul de Teresina. A ação foi realizada por equipes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Trânsito (DRCT) e da Diretoria de Operações de Trânsito (DOT), da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI).

 SSP-PI prende investigado por grave acidente de trânsito com duas vítimas feridas em Teresina. Foto: ReproduçãoSSP-PI prende investigado por grave acidente de trânsito com duas vítimas feridas em Teresina. Foto: Reprodução   

O investigado, identificado como Julio Cesar, já havia sido preso em flagrante no dia do acidente, ocorrido em 6 de junho, no bairro Bela Vista, também na zona Sul da capital. No entanto, ele foi colocado em liberdade após audiência de custódia. Com o avanço das investigações, a Polícia Civil reuniu novos elementos que embasaram o pedido de prisão preventiva, posteriormente deferido pela Justiça.

Segundo as investigações, Gilvan Furtado trafegava de motocicleta com a filha, em um percurso que costumava fazer para ajudá-la a se acalmar, quando os dois foram atingidos frontalmente por um carro que seguia na contramão. A polícia aponta que o motorista conduzia o veículo sob efeito de álcool e deixou o local sem prestar socorro às vítimas.

 Gilvan Furtado e a filha Geanne Cassimiro Furtado. Foto: DivulgaçãoGilvan Furtado e a filha. Foto: Divulgação   

O policial penal sofreu ferimentos graves e permanece internado no Hospital de Urgência de Teresina (HUT). A filha segue em recuperação.

Em entrevista ao Lupa1, o delegado Carlos César, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Trânsito (DRCT), explicou que a prisão preventiva foi decretada após o surgimento de novos elementos durante a investigação. Segundo ele, as provas reunidas levaram a Polícia Civil a reclassificar o caso como tentativa de homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual.

De acordo com o delegado, as investigações apontaram que Julio Cesar quase provocou outro acidente cerca de três horas antes da colisão que deixou o policial penal e a filha feridos. A testemunha foi localizada e confirmou que o investigado já trafegava na contramão pelas ruas do bairro Bela Vista.

Carlos César informou ainda que a polícia recebeu relatos de um episódio ocorrido aproximadamente seis meses antes, quando o suspeito teria colidido o carro contra o portão da residência de um vizinho e invadido o imóvel, supostamente também sob efeito de álcool.

 Delegado Carlos César, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Trânsito (DRCT). Foto: Lupa1Delegado Carlos César, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Trânsito (DRCT). Foto: Lupa1   

"Esses novos elementos de prova confirmaram a gravidade do delito e demonstraram, inclusive, que ele possui antecedentes criminais. Na mesma noite do acidente, por volta das 19h, ele quase atropelou outra pessoa no bairro Bela Vista, horas antes da colisão que ocorreu por volta das 23h", afirmou o delegado.

O delegado acrescentou que, além da condução do veículo sob suspeita de embriaguez, a investigação constatou que o motorista deixou o local após a colisão sem prestar assistência às vítimas, o que também foi considerado no pedido de prisão preventiva.

Além das circunstâncias do atropelamento, a Polícia Civil identificou indícios de que, horas antes da colisão, o motorista quase provocou outro acidente ao dirigir na contramão no mesmo bairro. As investigações também apontam que, cerca de seis meses antes, ele teria invadido com o carro o portão da residência de um vizinho durante a madrugada, em um episódio que também teria ocorrido sob efeito de álcool.

 Julio Cesar. Foto: DivulgaçãoJulio Cesar. Foto: Divulgação   

Com os novos elementos, a investigação deixou de tratar o caso como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor e passou a enquadrá-lo como tentativa de homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, contra as duas vítimas. O entendimento foi acolhido pela Central de Inquéritos Policiais, com parecer favorável do Ministério Público, resultando na decretação da prisão preventiva.

O diretor de Operações de Trânsito da SSP-PI, Fernando Aragão, afirmou que o caso reforça a necessidade de intensificar o combate à embriaguez ao volante. Segundo ele, a Secretaria de Segurança Pública tem determinado o fortalecimento das ações de fiscalização para reduzir acidentes graves e preservar vidas.

“Esse caso é de alguém totalmente embriagado que pega seu veículo e o utiliza como uma arma para tirar a vida de pessoas ou deixá-las com sequelas, como foi o caso desta vítima, que está hospitalizada em estado grave. Sua filha também está hospitalizada. Há uma determinação da Secretaria da Segurança Pública, do secretário Antonio Luiz, para que combatamos a embriaguez ao volante”, concluiu Fernando Aragão.

Após o cumprimento do mandado, Julio Cesar foi encaminhado à autoridade policial e permanece à disposição da Justiça.




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