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Quando faltam argumentos, a arma passa a ser contar as rugas do rosto

Transformar a idade de alguém em defeito político significa mandar uma mensagem bastante perigosa para milhões de brasileiros.

Por Fábio Wellington

05 de setembro de 2026 às 17:33 ▪ Atualizado em 05/09 às 17:39


Transformar a idade de alguém em defeito político significa mandar uma mensagem bastante perigosa para milhões de brasileiros.

Há uma novidade curiosa na campanha eleitoral do Piauí. Em vez de imperar o debate sobre currículo, trabalho realizado, propostas e capacidade para representar o povo brasileiro no Senado, uma parte dos políticos prefere apontar para a certidão de nascimento na busca de desqualificar o oponente.

 Marcelo Castro e Júlio César - Foto: ReproduçãoMarcelo Castro e Júlio César - Foto: Reprodução   



A idade que um candidato carrega passou a ocupar a fala de alguns como sendo um ponto em desfavor.

As idades de Marcelo Castro e Júlio César passaram a ser plataforma argumentativa de alguns de seus oponentes. O candidato ao Senado, o ambientalista Dionísio, por exemplo, fez uma declaração desastrosa sobre Júlio César, na qual misturava idade e uma referência vulgar às mulheres.

Disse que Júlio César deveria, em vez de ser candidato, estar na praia “rodeado de raparigas”.

O mesmo enfoque vem sendo aproveitado por perfis especializados em ataques nas redes sociais.

Essa é uma escolha que diz muito mais sobre quem ataca e deprecia do que sobre quem é atacado.

Envelhecer, até onde se sabe, continua sendo o destino de quem tem a felicidade de viver muito.

O Brasil está envelhecendo, e o envelhecimento saudável tem sido uma tônica entre os idosos. Por esta e outras razões, transformar a idade de alguém que pleiteia um cargo público, através do voto popular, em defeito político significa mandar uma mensagem bastante perigosa para milhões de brasileiros: depois de determinada idade, a experiência acumulada deixa de ser um ativo exponencial, a trajetória percorrida perde a importância e o cidadão deve simplesmente sair de cena.

Donald Trump completou 80 anos em junho. E não é uma aberração estatística: está entre os 20 líderes nacionais mais velhos do planeta. Em levantamento feito em 186 países, o Pew Research Center encontrou idade mediana de 63 anos entre seus líderes. Paul Biya, de Camarões, tinha 93; o rei Salman, da Arábia Saudita, 90.

Então fica difícil compreender uma política em que a idade de Lula serve para piada, mas os 80 anos de Trump deixam de ser problema, a depender de quem faz a avaliação.

Há ainda outra ironia nisso tudo.

Estamos falando do Senado da República.

O próprio nome deveria dar alguma pista.

O Senado nasceu historicamente associado à ideia de experiência, maturidade e conhecimento acumulado. Não é exatamente o lugar mais lógico para vender juventude como se fosse, por si só, um certificado de competência.

Ser jovem não desqualifica ninguém. Ser idoso também não.

A pergunta deveria ser outra: o que cada candidato tem a acrescentar à nação e ao seu estado?

Talvez essa seja uma discussão muito mais interessante para a eleição do Piauí.

Ao eleitor mais jovem, inclusive, fica uma sugestão simples.

Pegue o celular.

Abra o Google.

Digite o nome de cada candidato ao Senado pelo Piauí.

Pesquise um por um.

Veja quem já exerceu mandato. O que apresentou. O que aprovou. O que trouxe para o Piauí. Quais causas defendeu e defende.

Faça com todos.

Depois compare.

Porque eleição para o Senado não é concurso para detectar quem tem menos rugas no rosto.

Juventude passa. Experiência chega e se instala.

Pessoal e intransferível.

Fica a reflexão.
usar essas informações para gerar uma imagem ilustrativa




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