AO VIVO
A Rádio Lupa 1 toca onde você estiver.

Marketing LTDA

Jornalista e publicitário, especialista em Marketing Político, com 20 anos de experiência. Coordenou 12 campanhas para prefeito e venceu 9 delas. Foi secretário de Comunicação de Picos. Fundador da SeteGov, comentarista político no Programa Boa Tarde, Boa tarde! Apresentador na TV Lupa 1, publicitário na TP Propaganda.
Marketing LTDA

O único piauiense que comandou o Ministério da Fazenda — e ninguém lembra dele

Rafael Fonteles pode quebrar um jejum de 143 anos do Piauí.

02 de novembro de 2026 às 13:00 ▪ Atualizado em 02/11 às 13:00

Ver resumo
  • Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, está sendo especulado para o Ministério da Fazenda no governo Lula.
  • No período imperial, o único piauiense no cargo foi João Lustosa da Cunha Paranaguá, o Marquês de Paranaguá, entre 1882 e 1883.
  • Paranaguá também foi presidente do Conselho de Ministros e atuou em várias pastas, deixando marcas políticas importantes.
  • Desde a República, nenhum piauiense liderou a Fazenda; outros nordestinos, sim.
  • Rafael Fonteles, com forte background em economia, é considerado um excelente nome, mas nega conversas sobre o cargo.
  • Outros candidatos mencionados incluem Geraldo Alckmin e o atual ministro Dario Durigan.
  • Se Fonteles aceitar o cargo, teria que renunciar ao governo do Piauí, com Washington Bandeira assumindo.

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT) virou o nome mais comentado para comandar o Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente Lula. Ele nega qualquer conversa sobre o cargo, mas a especulação reabre uma pergunta pouco lembrada: o Piauí já teve a chave do cofre do país?

WhatsApp-Image-2026-11-02-at-11.38.01.jpgO único piauiense que comandou o Ministério da Fazenda — e ninguém lembra dele - Foto: Reprodução

Teve, uma única vez. Foi no Império de D. Pedro II, com João Lustosa da Cunha Paranaguá, o Marquês de Paranaguá, ministro da Fazenda entre julho de 1882 e maio de 1883. Desde então, são 143 anos sem um piauiense assumir o cargo. Nos 137 anos de República, nenhum titular da pasta nasceu no estado.

O marquês do sul do Piauí

João Lustosa da Cunha Paranaguá nasceu em 21 de agosto de 1821, em Nossa Senhora do Livramento, atual Parnaguá, no extremo sul do Piauí. Foi deputado geral e senador pela província, e chegou ao topo da política imperial como chefe do Partido Liberal.

MARQU%C3%8AS-DE-PARANHAGU%C3%81.jpg.jpg

No cargo da Fazenda, acumulou a presidência do Conselho de Ministros, posto equivalente ao de primeiro-ministro. Ou seja: além de cuidar das contas do Império, chefiava o próprio governo.

A Fazenda foi só uma das pastas que ocupou. A trajetória inclui:

  • Ministro da Guerra (1866–1868 e 1879–1880), período em que a Guerra do Paraguai chegou ao fim
  • Ministro da Justiça (1866)
  • Ministro dos Estrangeiros, hoje Relações Exteriores (1867–1868 e 1885)
  • Presidência de províncias, entre elas Maranhão, Pernambuco e Bahia

Para o Piauí, deixou uma marca concreta: em 1853, implantou a navegação a vapor no rio Parnaíba. No Senado, votou a favor das leis do Ventre Livre, dos Sexagenários e da Lei Áurea. Recebeu o título de visconde em 1882 e o de marquês em 1888.

Com a queda da Monarquia, em 1889, recolheu-se à vida privada. Morreu no Rio de Janeiro em 9 de fevereiro de 1912. Apesar do currículo, seu nome costuma ficar de fora das listas de ministros piauienses.

137 anos de República, nenhum piauiense

Desde Rui Barbosa, primeiro ministro da Fazenda republicano, em 1889, cerca de 70 titulares diferentes passaram pela pasta. Nenhum deles nasceu no Piauí, segundo o cruzamento da galeria oficial de ministros com as biografias de cada um.

O Nordeste não ficou totalmente de fora. O baiano Clemente Mariani comandou a Fazenda no governo Jânio Quadros, em 1961, e o potiguar Mário Câmara, em 1955. Na Nova República, vieram o paraibano Maílson da Nóbrega (1988–1990), o pernambucano Gustavo Krause (1992) e Ciro Gomes (1994), com carreira política no Ceará.

O cargo pesa. Rodrigues Alves, Getúlio Vargas e Fernando Henrique Cardoso passaram pela Fazenda antes de chegar à Presidência da República.

Piauienses chegaram perto do comando da economia, mas por outras portas. Reis Velloso, de Parnaíba, comandou o Ministério do Planejamento por dez anos (1969–1979). Ciro Nogueira chefiou a Casa Civil (2021–2022). A cadeira da Fazenda, porém, nunca foi ocupada por um deles.

O Piauí como escola de ministros

Se piauienses foram raros na Fazenda, o Piauí formou ministros da pasta. Dois baianos que governaram a província no século 19 chegaram depois ao comando do Tesouro imperial.

Zacarias de Góis e Vasconcelos presidiu o Piauí entre 1845 e 1847. Em relatório, já defendia levar a capital para um local mais central e com melhores comunicações. Depois, foi ministro da Fazenda (1866–1868) e chefiou o governo imperial três vezes.

José Antônio Saraiva concretizou a ideia. Como presidente da província, fundou Teresina em 16 de agosto de 1852 e transferiu a capital de Oeiras para a nova cidade, planejada por ele. Mais tarde, foi ministro da Fazenda em dois períodos (1880–1882 e 1885), também acumulando a chefia do governo.

A coincidência dá ao debate de hoje um eco histórico: dois ministros da Fazenda fizeram carreira passando pelo comando do Piauí. Rafael Fonteles pode inverter o caminho, saindo do Karnak para a Esplanada.

O que está em jogo agora

O nome de Fonteles ganhou força pelo currículo na área fiscal. Matemático pela UFPI, com mestrado em Economia Matemática no IMPA, ele comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí de 2015 a 2022 e presidiu o COMSEFAZ, fórum dos secretários estaduais de Fazenda, entre 2019 e 2022. Em outubro, foi reeleito no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos.

WhatsApp-Image-2026-11-02-at-12.57.25.jpg

O atual ministro, Dario Durigan, chamou Fonteles de "excelente nome". A disputa, porém, segue aberta: a imprensa nacional também cita o vice-presidente Geraldo Alckmin, apontado como favorito, o próprio Durigan, o senador Camilo Santana (PT-CE) e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

O governador nega qualquer tratativa. Afirmou que nunca conversou com Lula sobre cargos e que a hipótese "nem passa pela minha cabeça".

Se o convite vier e for aceito, Fonteles teria de renunciar ao mandato que começa em 6 de janeiro de 2027, e o vice-governador eleito, Washington Bandeira (PT), assumiria o governo. Bandeira já se disse pronto.

*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.




Assine a Newsletter do Portal Lupa1

De segunda a sexta, um resumo dos fatos que importam, direto no seu e-mail e de forma gratuita.

Siga no WhatsApp Canal LUPA 1 | Portal e TV