De Olho nas Cidades

Empresa agropecuária é investigada por explorar área de comunidade quilombola em Jerumenha

Inquérito apura atuação de empresa em território reivindicado pela Comunidade Arthur Passos

Por Mikeias di Mattos

07 de julho de 2026 às 10:22 ▪ Atualizado há 2 horas


O Ministério Público do Estado do Piauí instaurou inquérito civil para apurar possível violação aos direitos territoriais da Comunidade Quilombola Arthur Passos, em Jerumenha. A investigação envolve a exploração econômica de uma área tradicionalmente ocupada pela comunidade pela empresa Sul Brasil Agropecuária.

 Igreja Nossa Senhora Imaculada Conceição, Comunidade Quilombola Arthur Passos, Jerumenha-PI - Foto: Alcides Neto/InstagramIgreja Nossa Senhora Imaculada Conceição, Comunidade Quilombola Arthur Passos, Jerumenha-PI - Foto: Alcides Neto/Instagram   

De acordo com a portaria, o procedimento vai apurar a regularidade ambiental das atividades desenvolvidas no local, a observância do direito à consulta prévia, livre e informada da comunidade e a legitimidade da ocupação e exploração da área. O território citado ainda está em processo de reconhecimento administrativo. 

A investigação teve origem em expediente encaminhado pelo Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria da República em Floriano, após representação formulada pela Associação de Moradores e Remanescentes de Quilombo da Comunidade Arthur Passos. A entidade relatou possíveis irregularidades decorrentes da atuação da empresa Sul Brasil Agropecuária em área reivindicada pela comunidade quilombola. 

Entre os fatos apontados estão a supressão de vegetação nativa, o uso de maquinário pesado e a exploração econômica da área sem a observância dos direitos da comunidade tradicional. A representação também menciona possíveis impactos ambientais relacionados ao uso de agrotóxicos e à alteração de recursos hídricos existentes na região. 

Durante a apuração preliminar, o Ministério Público realizou escuta social com representantes da Comunidade Quilombola Arthur Passos. Na ocasião, foram colhidas novas informações sobre a situação da área, inclusive sobre a existência de procedimento administrativo em tramitação no Incra para reconhecimento e titulação do território tradicionalmente ocupado. 

O MP também apontou a necessidade de aprofundar as investigações com a obtenção de informações junto ao Incra, ao Instituto de Terras do Piauí, à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e à própria empresa citada na representação. Segundo a portaria, essas diligências são consideradas indispensáveis para esclarecer os fatos. 

Com a conversão do procedimento preparatório em inquérito civil, o Ministério Público fixou prazo de um ano para a conclusão da investigação. Também determinou a comunicação ao Conselho Superior do Ministério Público, ao Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente e ao Centro de Apoio Operacional de Promoção da Cidadania e Inclusão Social. 

A apuração deverá indicar se houve violação aos direitos territoriais da comunidade quilombola, irregularidade ambiental ou exploração indevida de área tradicionalmente ocupada. O inquérito também poderá subsidiar eventual ação civil pública ou compromisso de ajustamento de conduta.

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