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Delegada Vilma Alves: A pioneira negra que ensinou o Piauí a dizer “Quem ama, não bate!"

Delegada Vilma Alves foi mais que uma policial, foi um símbolo de que a segurança pública pode ser feita com acolhimento, educação e coragem.

Por Redação Lupa1

22 de agosto de 2026 às 13:00 ▪ Atualizado há 46 minutos


Antes da Lei Maria da Penha completar 18 anos, antes das redes sociais falarem em feminicídio, uma mulher negra, de fala firme e dedo em riste, já enfrentava em Teresina os “machões que batem em mulher”. Essa mulher é a delegada Vilma Alves.

 Delegada Vilma Alves: A pioneira negra que ensinou o Piauí a dizer “Quem ama, não bateDelegada Vilma Alves: A pioneira negra que ensinou o Piauí a dizer “Quem ama, não bate" - Foto: Reprodução 
 
 

A primeira a abrir a porta

Vilma Alves fez história ao se tornar a primeira delegada negra do Estado do Piauí, em uma carreira que somou 36 anos como delegada e quase 50 anos dedicados à segurança pública. Foi ela quem assumiu e estruturou a Delegacia Especializada de Proteção dos Direitos da Mulher, tornando-se a primeira Delegada da Mulher do estado.

O trabalho ganhou projeção nacional. Em 2012, foi chamada à Câmara dos Deputados, em Brasília, para explicar por que o Piauí apresentava os menores índices de violência doméstica do país na época. Na ocasião, atribuiu o resultado a uma parceria inédita entre Polícia Militar e Ministério Público e ao seu trabalho incansável de prevenção.

O Brasil conheceu sua voz

O país inteiro conheceu Vilma em rede nacional. Em reportagem do Fantástico e depois no programa Encontro com Fátima Bernardes, na TV Globo, em comemoração aos 6 anos da Lei Maria da Penha, ela foi apresentada como “a delegada que não tem medo de enfrentar machão”.


Foram exibidos trechos em que ela não hesitava em “botar o dedo na cara de criminosos”. Sua frase, repetida como mantra, atravessou gerações: “Quem ama, não bate”.

O legado que virou nome de turma

Mesmo aposentada, Vilma nunca deixou de formar mulheres. Em reconhecimento, as alunas da 5ª edição do curso de Defensoras Populares da Defensoria Pública do Estado do Piauí escolheram, por votação, homenageá-la.

Em 9 de dezembro de 2024, 216 novas Defensoras Populares se formaram na Turma Vilma Alves, no Auditório Esperança Garcia, em Teresina. O projeto capacita lideranças femininas para serem multiplicadoras de direitos humanos em suas comunidades.

A escolha, segundo a Defensoria, foi por ela ser “uma figura emblemática na luta contra a violência de gênero no Piauí”.

Um símbolo de resistência

Delegada Vilma Alves foi mais que uma policial. Foi um símbolo de que a segurança pública pode ser feita com acolhimento, educação e coragem. Para centenas de mulheres piauienses que hoje estão vivas porque tiveram coragem de denunciar, o nome dela não está em um diploma na parede, mas na história de sobrevivência.




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