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Acusado por acidente com três mortes aguarda julgamento há quase um ano em Teresina

Raimundo Nonato foi pronunciado por dolo eventual, mas recurso busca retirar o caso do Tribunal do Júri

Por Mikeias di Mattos

16 de julho de 2026 às 19:00 ▪ Atualizado há 1 hora


Raimundo Nonato da Conceição Morais aguarda há quase um ano uma definição sobre o julgamento pelo acidente que matou três pessoas e deixou outras três feridas em Teresina. A colisão ocorreu em 1º de agosto de 2025 e, às vésperas de completar um ano, a defesa ainda tenta retirar o acusado do Tribunal do Júri.

 Raimundo Nonato causou acidente que vitimou três pessoas em TeresinaRaimundo Nonato causou acidente que vitimou três pessoas em Teresina   

Raimundo foi pronunciado pela Justiça por três homicídios e três tentativas de homicídio praticados com dolo eventual. A decisão significa que o processo deverá ser analisado por jurados, que decidirão se ele assumiu o risco de provocar as mortes ao dirigir nas circunstâncias apontadas pela acusação.

Mesmo após a pronúncia, os advogados apresentaram recurso e voltaram a defender que o caso seja tratado como homicídio culposo na direção de veículo automotor. A tese busca afastar o dolo eventual e, consequentemente, retirar o processo da competência do Tribunal do Júri.

O acidente ocorreu no cruzamento das avenidas Barão de Castelo Branco e Industrial Gil Martins. Raimundo conduzia uma Mitsubishi Pajero que atingiu violentamente um Hyundai HB20.

Jardyel de Abreu Pessoa, Weslley Moura Sousa e Débora Mavy de Abreu Barros morreram. Diana Carmem de Abreu Viveiro, Smyrna Viveiro de Abreu Pessoa e Kevin Ray Abreu dos Santos sobreviveram ao acidente.

 Jardyel Abreu, Mavy Abreu e Wesley Ramos, vítimas fatais - Montagem: Lupa1Jardyel Abreu, Mavy Abreu e Wesley Ramos, vítimas fatais - Montagem: Lupa1   

Segundo a acusação, Raimundo havia consumido grande quantidade de bebida alcoólica antes de assumir a direção, apresentava comportamento alterado, conduzia o veículo em alta velocidade e avançou o sinal vermelho antes da colisão.

Testemunhas relataram que o acusado consumiu whisky e cachaça durante horas em um estabelecimento próximo ao local do acidente. Registros audiovisuais e análises técnicas também foram mencionados no processo para sustentar a versão de que a Pajero avançou o cruzamento em alta velocidade.

Pouco mais de três semanas depois do acidente, o Ministério Público denunciou Raimundo por três homicídios qualificados e três tentativas de homicídio qualificado. A denúncia foi recebida, o réu apresentou defesa e foi interrogado durante a instrução.

Depois da coleta dos depoimentos e da análise dos laudos e imagens, a Justiça decidiu que havia indícios suficientes para levar o caso ao julgamento popular. As qualificadoras apresentadas inicialmente foram afastadas, mas permaneceu a acusação de homicídio e tentativa de homicídio com dolo eventual.

A defesa recorreu e alegou que Raimundo não assumiu o risco de matar. Os advogados afirmam que o semáforo estava amarelo, que o acusado acreditou que conseguiria atravessar o cruzamento e que tentou frear antes do impacto.

Também foi questionada a ausência de um exame de alcoolemia considerado válido pela defesa. Para os advogados, o conjunto de provas indicaria, no máximo, imprudência grave, caracterizando culpa consciente e não dolo eventual.

O recurso pede a impronúncia do acusado ou, alternativamente, a desclassificação das acusações para crimes culposos de trânsito. A defesa também tenta revogar a prisão preventiva e garantir que Raimundo responda ao processo em liberdade.

O juiz da 3ª Vara do Tribunal Popular do Júri de Teresina, porém, manteve a pronúncia. O magistrado entendeu que as teses já haviam sido analisadas e que permaneciam os indícios necessários para que o caso fosse decidido pelos jurados.

O Ministério Público também se posicionou contra o recurso. O órgão sustenta que a combinação de consumo de álcool, velocidade elevada e avanço de sinal vermelho apresenta elementos suficientes para que o Tribunal do Júri decida se houve dolo eventual.

A acusação ainda defende a manutenção da prisão preventiva, apontando a gravidade concreta da colisão, a quantidade de vítimas e o risco provocado pela conduta atribuída ao réu.

Agora, o recurso deverá ser analisado pelo Tribunal de Justiça do Piauí. Caso a pronúncia seja mantida, Raimundo Nonato será levado a julgamento popular pelas três mortes e pelos ataques à vida das três vítimas sobreviventes.

Enquanto a defesa insiste em retirar o caso do Tribunal do Júri, familiares das vítimas se aproximam do primeiro ano do acidente sem que o julgamento tenha sido realizado.

"Não foi acidente", diz delegado

Em vídeo publicado nas redes sociais no dia 28 de maio deste ano, a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, e o delegado do caso, Matheus Zanatta, afirmaram que o episódio "não foi um acidente" e sim "uma sequência de decisões no volante que destruiu famílias e interrompeu vidas". 

No vídeo que comoveu as redes sociais, além de alertar sobre os riscos da combinação de bebida com direção, familiares das vítimas relembram momentos da fatídiga noite e como é conviver com a ausência dos entes queridos.

 




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