Por Tiago Moura
01 de julho de 2026 às 11:56 ▪ Atualizado há 4 horas
Uma operação deflagrada pela Polícia Civil resultou na prisão de 14 pessoas nos estados do Piauí, Ceará e Rio de Janeiro. A ação, divulgada nesta quarta-feira (01), teve como alvo uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, homicídios, extorsão e lavagem de dinheiro.
Delegado Laércio Evangelista, coordenador do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Foto: TV Lupa1 Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 50 milhões em bens e valores ligados aos investigados, com base em provas reunidas ao longo das investigações.
O inquérito teve início em 2024, no município de Pedro II, no Norte do Piauí, e apontou a atuação de uma facção com ramificações em outros estados, incluindo ligações com integrantes da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, e atuação também no Ceará.
Segundo o Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), a organização teria identificado em Pedro II um ponto estratégico para expansão do tráfico de drogas, devido à localização próxima à divisa com o Ceará e ao potencial turístico da região.
O delegado Laércio Evangelista explicou que a investigação revelou a presença de uma célula da facção na cidade, responsável principalmente pela movimentação financeira e pela expansão das atividades criminosas.
Esta foi a oitava fase de uma série de operações realizadas em Pedro II. Ao longo das etapas anteriores, a Polícia Civil cumpriu mais de 110 mandados judiciais.
Somente nesta fase, foram expedidos 68 mandados, incluindo 14 de prisão. O principal foco da operação foi o núcleo financeiro da organização, suspeito de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de extorsões.
Entre os presos, há um investigado apontado como responsável por dar suporte logístico à fuga de detentos da Penitenciária Federal de Mossoró (RN), registrada em fevereiro de 2024.
A investigação também identificou a estrutura hierárquica do grupo. O comando seria exercido por J.R.S.R., conhecido como “Carioca” ou “Canindé”, apontado como líder da facção e foragido da Justiça, com atuação a partir da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Em Pedro II, a liderança local seria atribuída a A.I.N.S., responsável pelo tráfico de drogas no município. Já D.U.N., conhecido como “Tapioca”, e A.G.G.S., apelidado de “Negão”, oriundo do Ceará, também ocupavam posições de destaque dentro da organização. Os três já se encontram presos no sistema penitenciário piauiense.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), as fases anteriores da operação já resultaram no esclarecimento de 13 homicídios ligados ao grupo, além do cumprimento de mais de 42 mandados de prisão.
Entre os crimes investigados estão dois casos de “tribunal do crime”, o assassinato da adolescente Giovanna Maria de Oliveira, de 14 anos, e a morte de Danilo Soares, encontrado enterrado em uma cova rasa na zona rural de Pedro II.
Em um dos desdobramentos das investigações, um dos integrantes da facção chegou a confessar a autoria de seis homicídios e uma tentativa de homicídio, segundo a polícia. Ele teria recebido como forma de pagamento drogas, aluguel e mantimentos.
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