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Google Maps desfoca imóvel do Jardim Europa apontado pela PF como indício de lavagem na farra do INSS

Mansão alugada por Nelson Wilians e jardim de R$ 22 milhões comprado por preso da farra do INSS aparecem borrados no Google Maps.

Por Redação Lupa1

04 de agosto de 2026 às 14:29 ▪ Atualizado há 1 hora


O desfoque cobre exatamente o imóvel e o terreno que a Polícia Federal aponta como indício de lavagem de dinheiro no esquema de descontos indevidos em aposentadorias.

Google Maps desfoca imóvel do Jardim Europa apontado pela PF como indício de lavagem na farra do INSS - Foto: Reprodução/ Google Maps

As imagens da mansão ocupada pelo advogado Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, na Rua Alemanha, no Jardim Europa, em São Paulo, aparecem desfocadas no Street View do Google Maps. O apagamento não se limita à fachada. Ele acompanha todo o muro da propriedade e se estende pela Avenida Europa, onde fica o terreno que a Polícia Federal aponta como peça central de uma suspeita de lavagem de dinheiro ligada à farra dos descontos no INSS. As imagens disponíveis na plataforma, registradas em julho de 2024, mostram apenas uma mancha cinza no lugar da construção.

O terreno vizinho foi comprado em novembro de 2020 pelo empresário Maurício Camisotti, por R$ 22 milhões, e pertencia à família Diniz, do Grupo Pão de Açúcar. A casa foi demolida, os muros que separavam as duas áreas foram retirados e o terreno acabou anexado ao jardim da residência ocupada pelo advogado. O imóvel nunca teve o registro transferido para o nome de Wilians.

A matrícula nunca foi alterada e, para a Prefeitura de São Paulo, os dois terrenos, que somados passam de 5,7 mil metros quadrados, seguem sendo propriedades distintas. A ocupação da casa se dá por contrato de locação firmado em junho de 2017 com a empresa Brasil Empreendimentos e Participações, a Braemp, renovado em junho de 2022 por mais três anos. O aditivo mais recente atualizou o aluguel para R$ 196.292 mensais, valor equivalente a cerca de 130 salários mínimos.

Google Maps desfoca imóvel do Jardim Europa apontado pela PF como indício de lavagem na farra do INSS - Foto: Reprodução/ Google Maps

A demolição também correu na frente da autorização. O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo informou que a demolição do imóvel, que não era tombado, foi solicitada em 2021 e autorizada apenas em junho de 2023, e que a análise ocorreu porque a casa integrava conjunto urbano monitorado. Quando o aval saiu, a construção já havia sido derrubada.

A Polícia Federal levantou a suspeita de lavagem de dinheiro nessa transação ao pedir a prisão de Camisotti e de Wilians na Operação Cambota, desdobramento da Operação Sem Desconto. O pedido foi referendado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apenas em relação ao empresário, e rejeitado quanto ao advogado. Camisotti está preso desde 12 de setembro de 2025.

Google Maps desfoca imóvel do Jardim Europa apontado pela PF como indício de lavagem na farra do INSS - Foto: Reprodução/ Google Maps

Relatórios de inteligência financeira apontam movimentações de R$ 4,3 bilhões envolvendo o escritório do advogado, incluindo cerca de R$ 28 milhões em transações diretas com empresas e pessoas ligadas a Camisotti. As investigações registram ainda repasses de R$ 15,5 milhões feitos por Wilians ao empresário entre 2016 e 2022.

Convocado pela CPMI do INSS em setembro de 2025, Wilians permaneceu em silêncio, amparado por habeas corpus concedido pelo ministro Nunes Marques. Em março de 2026, o relatório final da comissão pediu o indiciamento do advogado por organização criminosa e lavagem de dinheiro, além do indiciamento de sua esposa, Anne Wilians. Em depoimento ao Congresso, ele negou participação nas irregularidades.

Google Maps desfoca imóvel do Jardim Europa apontado pela PF como indício de lavagem na farra do INSS - Foto: Reprodução/ Google Maps

O caso teve novos capítulos neste ano. Camisotti fechou, em abril, a primeira delação premiada do escândalo, acordo que a Procuradoria-Geral da República pediu ao ministro André Mendonça que seja refeito, por entender que a colaboração fechada apenas com a Polícia Federal não tem validade jurídica. Em 15 de julho, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo deflagrou a Operação Distrato, que mira suposto esquema bilionário de sonegação e teve entre os alvos o escritório do advogado.

Sobre o desfoque, a política do Google não exige decisão judicial. De acordo com a central de ajuda do Google Maps, o usuário localiza o imóvel, abre a imagem do Street View, clica em "Informar um problema" e envia o formulário, e o desfoque aplicado é permanente. Uma vez aprovado, o imóvel deixa de aparecer no Street View em todos os registros, incluindo imagens antigas e atualizações futuras. A empresa não divulga a identidade de quem solicita o apagamento.

O espaço segue aberto para manifestação. Nelson Wilians nega irregularidades e afirma que sua atuação ocorreu dentro dos limites da advocacia. Todos os citados são investigados e respondem em liberdade ou sob custódia sem condenação definitiva, e a eles se aplica a presunção de inocência.




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