O crescimento das apostas e dos jogos online, conhecidos popularmente como bets, tem chamado atenção pelos possíveis impactos na saúde mental. Quando a pessoa perde o controle sobre o comportamento de apostar e continua jogando mesmo diante de prejuízos financeiros, familiares, profissionais ou emocionais, pode estar diante de um transtorno do jogo.
Em Teresina, quem identifica sofrimento ou prejuízos relacionados às apostas pode buscar atendimento na Rede de Atenção em Saúde Mental do município. Conforme a necessidade de cada caso, o acompanhamento pode ocorrer nos ambulatórios psicológicos ou psiquiátricos e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Dados publicados em 2026 pela BIPPZINE: Revista de Neurociências e Psicofarmacologia Prática, com base no III Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool e Outras Drogas (LENAD), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apontam que 25,9% dos brasileiros com 14 anos ou mais já haviam apostado alguma vez na vida. Entre os que apostaram nos 12 meses anteriores à pesquisa, 17,6% apresentaram esse comportamento, o equivalente a aproximadamente 28 milhões de pessoas.
Entre os adolescentes que apostaram no último ano, 55,2% apresentaram indicativos de jogo problemático ou de risco. Entre os adultos, o percentual foi de 38,8%.
Sinais de alerta
Perder o controle sobre as apostas, gastar valores acima do que pode pagar, tentar recuperar o dinheiro perdido fazendo novas apostas e continuar jogando mesmo diante dos prejuízos estão entre os sinais de que o comportamento pode estar se tornando problemático.
Para a médica psiquiatra e coordenadora do CAPS Leste, Dra. Krieger Olinda, é importante procurar ajuda antes que os prejuízos se agravem.
“O comportamento de apostar pode se tornar patológico e não deve ser visto apenas como um problema financeiro. Ele pode estar associado a ansiedade, depressão e risco de suicídio. É uma questão de saúde e pode ser tratado. Quanto mais cedo esse cuidado começa, maiores são as possibilidades de evitar o agravamento do quadro.”