24 de abril de 2025 às 18:51 ▪ Atualizado há 5 meses
A menos de dois anos das eleições de 2026, o cenário político no Piauí começa a ganhar contornos cada vez mais reveladores e paradoxais. Enquanto a base governista estadual ensaia uma disputa interna para definir seus candidatos ao Senado, o nome de Ciro Nogueira (PP) avança como uma figura quase consensual entre prefeitos e vereadores, inclusive entre muitos que se dizem aliados do governo estadual.

A dualidade que se desenha nas preferências eleitorais municipais é indicativa de um comportamento pragmático e estratégico, típico de quem compreende a política local mais como sobrevivência do que fidelidade partidária. É nesse contexto que Ciro Nogueira, atual senador e presidente nacional do Progressistas, vai consolidando terreno, mesmo sendo apontado como figura-chave da direita bolsonarista há, inclusive, especulações de que poderá compor uma chapa nacional como vice de Jair Bolsonaro, ou numa chapa apoiada pelo ex-presidente.
Enquanto isso, do lado governista, ainda reina a indefinição. Marcelo Castro (MDB), senador em fim de mandato, e Júlio César (PSD), deputado federal, aparecem como os nomes mais prováveis da coalizão estadual. Contudo, o PT, partido do governador Rafael Fonteles, também reivindica uma das vagas para o Senado, alimentando disputas internas que enfraquecem a narrativa de unidade e dificultam a fidelização do eleitorado municipal.

Prefeitos e vereadores, atentos ao peso eleitoral de Ciro, já organizam articulações regionais com ele. A confirmação veio nesta quinta-feira (24), quando a Associação de Vereadores do Piauí anunciou a realização de encontros em várias regiões do estado, todos com a presença do senador do Progressistas. Trata-se de uma movimentação que não apenas sinaliza apoio, mas indica um reposicionamento tático de lideranças locais, muitas das quais dividirão seus votos entre a base governista e Ciro Nogueira, este, invariavelmente, sendo o "voto certo" ao Senado.

O fato de não ser raro encontrar quem pretenda votar em Ciro e em um dos nomes da base de Rafael Fonteles, e quase nunca nos dois candidatos governistas, expõe um risco na estratégia da ala governista. A fragmentação da base não apenas dificulta a criação de uma chapa coesa, como também oferece ao adversário um campo vasto para captação de apoio transversal. Ciro, com sua capilaridade e habilidade em se apresentar como uma figura “respeitada dos dois lados” transforma essa fraqueza da base num trunfo pessoal.

A tendência é clara: se a base governista não resolver suas contradições internas e não apresentar ao eleitorado uma chapa senatorial com identidade e unidade, verá o seu segundo voto ao Senado, ou até mesmo o primeiro, ser entregue de bandeja a Ciro Nogueira.
Mais do que disputa política, o que se verá em 2026 poderá ser um retrato da crise de liderança e coesão em partidos que, mesmo no poder, lutam entre si por protagonismo.

De segunda a sexta, um resumo dos fatos que importam, direto no seu e-mail e de forma gratuita.
Auditoria
Multados
Ocorrência
Violência doméstica
Administração
OEIRAS
OPERAÇÃO CURARE
VIOLÊNCIA NO CEARÁ
OPERAÇÃO POLICIAL
Rombo milionário
HOMENAGEM
ELEIÇÕES 2026
SAÚDE DA MULHER
Entrevista
Cirurgias
Os bastidores do poder no Piauí e no Brasil. A notícia sem rodeios. Lupa1 é jornalismo imparcial com conteúdo exclusivo e diário.
Termos de uso Política de Privacidade Princípios Editoriais
© 2026 Portal Lupa1. Todos os direitos reservados.