Por Emanuel Oliveira
17 de outubro de 2026 às 13:57 ▪ Atualizado em 17/10 às 13:57
O calor em Teresina neste mês de outubro deixou de ser apenas conversa de esquina. A estação oficial do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na capital registrou 41,2°C na quinta-feira (8), uma das maiores temperaturas do ano. O registro veio depois de dois dias seguidos com 41°C, na terça (6) e na quarta (7).
Teresina chega a 41,2°C e encosta no recorde histórico de outubro - Foto: AsCom
Na terça-feira, Teresina foi a cidade mais quente do Brasil no ranking do Inmet. O Piauí ainda emplacou outros cinco municípios entre os dez mais quentes do país: Oeiras, Campo Maior, Picos, Castelo do Piauí e Piripiri.
A diferença para a média é grande. Segundo as normais climatológicas do Inmet, a temperatura máxima média de outubro em Teresina é de 37,2°C. Na semana passada, a capital operou cerca de 4°C acima disso.
O maior valor já registrado em outubro na estação automática do Inmet em Teresina é de 41,6°C, em 24 de outubro de 2012. A marca de 2026 ficou a apenas 0,4°C desse recorde.
A comparação com os anos recentes ajuda a dimensionar o momento. Em outubro de 2023, ano de El Niño intenso, a maior máxima foi de 40,7°C, no dia 14. Segundo balanço do Inmet, aquela era a terceira maior temperatura para o mês na série, atrás apenas de dois dias de 2012. Naquele outubro, a cidade vinha de 107 dias sem chuva.
Com 41,2°C, outubro de 2026 já superou a referência de 2023. A tendência também não favorece alívio. O Painel El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos como Inpe, Inmet e Cemaden, aponta temperaturas acima da média e condições mais secas no centro-norte do país.
A percepção de que o calor está maior tem explicação nos números. A Rede Hiperlocal de Monitoramento Ambiental da Prefeitura de Teresina, instalada em abril deste ano, mede a temperatura em seis pontos da cidade. Ela registrou 45,22°C às 14h13 do dia 7 de outubro, no sensor da Fundação Municipal de Saúde, no bairro Primavera. Naquele dia, todos os pontos monitorados passaram dos 40°C.
A umidade relativa do ar também despencou. Chegou a 15,34% na terça (6) e a 16,52% no Primavera na quarta (7), níveis típicos de deserto. Com o ar seco, o corpo perde água mais rápido e o desconforto aumenta.
O calor também não dá trégua à noite. De acordo com o relatório parcial da prefeitura, a temperatura média dos pontos monitorados entre 1º e 10 de outubro foi de 32,35°C. O valor representa alta de 0,54°C em relação a setembro. Mesmo às 21h, a média ainda estava em 30,96°C. Em alguns dias, o calor intenso se estendeu por quase dez horas.
Os números da prefeitura são mais altos que os do Inmet por uma questão de método. A estação do instituto mede a temperatura do ar sob padrões internacionais e é a referência oficial para comparações históricas. Já os sensores municipais captam o calor onde as pessoas vivem, perto de asfalto, concreto e áreas sem arborização.
Para o coordenador da Agenda Teresina 2030, Leonardo Madeira, em nota divulgada pela prefeitura, as duas redes não competem entre si. Elas observam o calor em escalas diferentes, e o Inmet segue como a referência meteorológica oficial.
Segundo a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), a sensação térmica é outra medida. Ela leva em conta fatores como umidade e vento, e por isso pode ficar acima do que marca o termômetro oficial.
A previsão do Inmet para este sábado (17) é de máxima de 40°C e mínima de 24°C. De domingo (18) até quarta-feira (21), as máximas previstas ficam em torno de 38°C, com mais nuvens e possibilidade de chuva isolada na segunda-feira (19).
O próximo relatório parcial da rede de monitoramento da prefeitura está previsto para 21 de outubro.
A Prefeitura de Teresina orienta a população a manter a hidratação ao longo do dia e reduzir a exposição direta ao sol. A recomendação também é evitar atividades físicas intensas nos horários mais quentes, principalmente entre o fim da manhã e o meio da tarde.
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