Por Isadora Santos
29 de outubro de 2025 às 13:13 ▪ Atualizado há 2 meses
Moradores do Complexo da Penha, na zona Norte do Rio de Janeiro, levaram pelo menos 74 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais da região, ao longo da madrugada desta quarta-feira (29), o dia seguinte à operação Contenção, considerada a mais letal da história do Estado.
Dezenas de corpos foram trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, após Operação Contenção. Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil O governo do Rio havia informado em balanço na terça que havia 64 mortos, sendo 60 suspeitos de crimes e 4 policiais. No entanto, na manhã desta quarta, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro contabilizou um total de 132 vítimas fatais, sendo 128 civis e 04 policiais.
Os corpos foram deixados na praça à medida que eram recuperados por moradores das comunidades do Complexo. O objetivo do traslado dos corpos até a praça foi facilitar o reconhecimento por parentes. Ao menos 25 deles estavam em uma área de mata, no alto da Serra da Misericórdia, além de outras regiões.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (29), a Defensoria Pública da União (DPU) repudiou o aumento da violência e da letalidade policial no estado do Rio de Janeiro e criticou a operação que foi considerada a mais letal do Estado.
“Para a DPU, ações estatais de segurança pública não podem resultar em execuções sumárias, desaparecimentos ou violações de direitos humanos, sobretudo em comunidades historicamente marcadas por desigualdade, ausência de políticas sociais e exclusão institucional”, declarou a instituição.
Ontem, o governador do Rio, Cláudio Castro, assegurou a jornalistas que a Operação Contenção foi autorizada pelo Poder Judiciário e acompanhada pelo Ministério Público estadual.
“Esta operação tem muito pouco a ver com segurança pública. Ela é uma operação de defesa. [Porque] esta é uma guerra que está passando os limites que o estado [do Rio de Janeiro] deveria estar defendendo sozinho. Para uma guerra desta, que nada tem a ver com a segurança urbana, deveríamos ter um apoio muito maior. Neste momento, talvez até de Forças Armadas”, propôs Castro, se referindo ao poder bélico e financeiro das organizações criminosas.
Na noite desta terça-feira (29), Castro solicitou 10 novas vagas nas penitenciárias federais para transferência de presos de alta periculosidade. A medida que depende de autorização judicial, será atendida assim que os trâmites legais forem concluídos.
O Rio de Janeiro é atualmente o segundo estado com maior número de presos sob custódia federal, totalizando 59 custodiados de alta periculosidade. Somente em 2025, 12 novas inclusões foram realizadas no Sistema Penitenciário Federal.
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