Mais do que uma época de ovos de chocolate, coelhinhos e reuniões familiares, a Páscoa é uma celebração que carrega significados profundos, diversos e milenares. Em praticamente todas as religiões que a celebram, ou que a inspiraram de alguma forma, esta data está ligada a ideias universais de renascimento, libertação, transformação e esperança. É uma época do ano em que o sagrado e o simbólico se entrelaçam com a tradição, a espiritualidade e até com a mudança das estações.
Seja no Cristianismo, onde representa a vitória da vida sobre a morte; no Judaísmo, como símbolo da libertação do povo hebreu; ou nas tradições pagãs que celebram o renascer da natureza na primavera, a Páscoa ultrapassa os limites religiosos e torna-se um momento de reflexão sobre a condição humana. Até mesmo fora de contextos religiosos, muitas pessoas aproveitam a ocasião para repensar hábitos, recomeçar projetos ou buscar maior conexão consigo mesmas.
A seguir separamos algumas perspectivas sobre o tema em diferentes religiões e culturas ao redor do mundo celebram a Páscoa e de que forma esse momento tão simbólico toca o coração de milhões de pessoas todos os anos.
Cristianismo: a vitória da vida sobre a morte
Para os cristãos, a Páscoa é a mais sagrada das celebrações. Ela marca a ressurreição de Jesus Cristo, ocorrida três dias após a sua crucificação no Calvário. Segundo o Novo Testamento, este milagre não apenas comprova a divindade de Cristo, como também simboliza a promessa de vida eterna a todos os que seguem sua palavra.
Celebrada após a Semana Santa, a Páscoa cristã é antecedida por momentos de profunda reflexão, como a Quaresma (40 dias de penitência) e a Sexta-feira Santa, que relembra a crucificação. A Vigília Pascal, realizada no sábado à noite, é considerada a mais importante liturgia do ano.
Além disso, o simbolismo dos ovos de Páscoa, tradicionalmente feitos de chocolate, está relacionado com a ideia de vida nova e renascimento – uma herança que mistura tradições cristãs e pagãs.
Judaísmo: a liberdade do povo hebreu
No Judaísmo, a festividade correspondente à Páscoa é chamada de Pessach, e tem raízes ainda mais antigas. Celebrada por sete ou oito dias (consoante a tradição), relembra a libertação dos hebreus da escravidão no Egito, conforme relatado no livro do Êxodo.
Durante o Sêder de Pessach, um jantar cerimonial é realizado com alimentos simbólicos como o matzá (pão ázimo), que recorda a pressa com que os judeus deixaram o Egito, sem tempo de deixar o pão fermentar. É também lida a Hagadá, narrativa que guia os participantes pelo significado espiritual e histórico do Êxodo.
Paganismo e tradições antigas: o renascimento da natureza
Muito antes do Cristianismo, povos pagãos já celebravam o renascimento da vida durante a primavera. Uma das figuras mais referenciadas é a deusa Ēostre (ou Ostara), associada à fertilidade, ao amanhecer e à renovação.
Foi a partir dessas tradições que surgiram os símbolos como o coelho, conhecido por sua fertilidade, e os ovos coloridos, representando o ciclo da vida. Esses elementos foram mais tarde incorporados às festividades cristãs e ganharam releituras comerciais e culturais com o passar dos séculos.
Espiritualismo: a transformação Interior
Em correntes espirituais e esotéricas, a Páscoa é interpretada de forma simbólica e universal. Representa um período de renascimento interior, onde se propõe deixar para trás hábitos, pensamentos e atitudes negativas, abrindo espaço para a luz, a harmonia e a evolução da consciência.
Práticas como a meditação, a limpeza energética e o jejum simbólico são comuns entre os seguidores destas crenças, alinhando-se com a ideia de renovação que permeia esta época do ano.
Um momento para todos
Independentemente da religião ou crença, a Páscoa é um convite à reflexão, ao recomeço e à esperança. Seja pela fé num salvador ressuscitado, pela celebração da liberdade conquistada, pela renovação da natureza ou pela transformação interior, esta data ressoa profundamente com os valores humanos universais.
E você, como escolhe renovar-se nesta Páscoa?