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MP investiga contrato de R$ 3,8 milhões para compra de órteses e próteses pelo HUT

Sócio da empresa contratada teria mantido vínculo temporário como técnico de enfermagem na Fundação Municipal de Saúde

Por Mikeias di Mattos

08 de setembro de 2026 às 19:00 ▪ Atualizado em 09/09 às 13:22

Ver resumo
  • O Ministério Público do Piauí iniciou investigação sobre um contrato de R$ 3,8 milhões entre a Fundação Municipal de Saúde de Teresina e a Medfix.
  • José Wilker da Silva, sócio da Medfix, teria vínculos com a Fundação, levantando suspeitas de conflito de interesse.
  • O contrato visa fornecer órteses e próteses para o Hospital de Urgência de Teresina.
  • A investigação busca esclarecer se houve interferência na contratação e verificar a regularidade do contrato.
  • Inicialmente uma Notícia de Fato, a investigação foi convertida em Procedimento Preparatório pela 36ª Promotoria.
  • A FMS mencionou que o contrato total envolvia várias empresas e que apenas R$ 9.459 foram pagos à Medfix.
  • O contrato com a Medfix foi declarado nulo em agosto de 2025, e um servidor público envolvido foi afastado e desligado de suas funções.

O Ministério Público do Estado do Piauí abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades em um contrato de R$ 3,8 milhões firmado entre a Fundação Municipal de Saúde de Teresina e a empresa Medfix Comércio de Produtos Hospitalares Ltda. ME. O sócio-administrador da contratada, José Wilker da Silva, teria mantido vínculo temporário com a própria FMS.

 Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Foto: TV Lupa1Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Foto: TV Lupa1   

O contrato foi celebrado para o fornecimento de órteses e próteses destinadas aos setores de neurocirurgia e ortopedia do Hospital de Urgência de Teresina. A apuração teve início após uma manifestação encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público questionar a relação entre o empresário e a administração pública.

De acordo com a portaria publicada pelo MP, José Wilker da Silva exercia a função de técnico em enfermagem na Fundação Municipal de Saúde. O empresário também manteria vínculo funcional com a administração pública estadual.

A investigação busca esclarecer se a relação funcional do sócio com a FMS interferiu na contratação da empresa ou contrariou as regras e os princípios aplicáveis à administração pública. O procedimento também deverá verificar a regularidade dos atos administrativos relacionados ao contrato milionário.

O caso tramitava inicialmente como Notícia de Fato, instrumento utilizado para a análise preliminar de denúncias encaminhadas ao Ministério Público. Com o encerramento do prazo dessa etapa e a necessidade de novas diligências, a 36ª Promotoria de Justiça de Teresina converteu a apuração em Procedimento Preparatório.

A conversão permite o aprofundamento da investigação antes de uma eventual instauração de inquérito civil. Entre os pontos que poderão ser examinados estão o processo de contratação, a situação funcional do sócio da empresa, os pagamentos realizados e a entrega dos materiais adquiridos pelo Hospital de Urgência de Teresina.

A portaria afirma que as circunstâncias relatadas podem, em tese, representar afronta aos princípios constitucionais da administração pública e possível violação à Lei de Improbidade Administrativa. A publicação, entretanto, não apresenta conclusão sobre a existência de irregularidade nem atribui responsabilidade definitiva aos envolvidos.

O procedimento será conduzido pela 36ª Promotoria de Justiça de Teresina, sob responsabilidade do promotor Flávio Teixeira de Abreu Júnior. A investigação seguirá com o cumprimento das diligências determinadas para esclarecer as condições em que o contrato foi celebrado e executado.

Diário eletrônico do MPPI
Nota de Esclarecimento

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) vem a público esclarecer os equívocos contidos na matéria divulgada.

O valor de R$3,8 milhões refere-se ao montante total de um contrato que envolve 6 empresas credenciadas para o fornecimento de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME) ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), e não exclusivamente à empresa citada, Medfix.

Embora tenha sido empenhado o valor de R$ 50 mil à Medfix, até o momento foram efetivamente utilizados e pagos à empresa apenas R$ 9.459 em materiais aplicados a pacientes, conforme os trâmites legais estabelecidos.

A Fundação esclarece ainda que o contrato com a empresa Medfix foi celebrado por meio de credenciamento, em 2024, e posteriormente declarado nulo em 5 de agosto de 2025, pela nova gestão da FMS. A empresa também foi sancionada pela FMS, conforme as medidas administrativas cabíveis.

Em relação à participação de servidor público entre os sócios da empresa, trata-se de servidor substituto admitido em 4 de maio de 2023. Assim que tomou conhecimento da denúncia, a nova gestão da FMS realizou seu afastamento imediato e o desligamento das funções públicas, encaminhando o caso à Assessoria Jurídica para as providências cabíveis.




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