Por Fábio Wellington
05 de setembro de 2026 às 17:33 ▪ Atualizado em 08/09 às 08:32
Transformar a idade de alguém em defeito político significa mandar uma mensagem bastante perigosa para milhões de brasileiros.
Há uma novidade curiosa na campanha eleitoral do Piauí. Em vez de imperar o debate sobre currículo, trabalho realizado, propostas e capacidade para representar o povo brasileiro no Senado, uma parte dos políticos prefere apontar para a certidão de nascimento na busca de desqualificar o oponente.
Marcelo Castro e Júlio César - Foto: Reprodução
A idade que um candidato carrega passou a ocupar a fala de alguns como sendo um ponto em desfavor.
As idades de Marcelo Castro e Júlio César passaram a ser plataforma argumentativa de alguns de seus oponentes. O candidato ao Senado, o ambientalista Dionísio, por exemplo, fez uma declaração desastrosa sobre Júlio César, na qual misturava idade e uma referência vulgar às mulheres.
Disse que Júlio César deveria, em vez de ser candidato, estar na praia “rodeado de raparigas”.
O mesmo enfoque vem sendo aproveitado por perfis especializados em ataques nas redes sociais.
Essa é uma escolha que diz muito mais sobre quem ataca e deprecia do que sobre quem é atacado.
Envelhecer, até onde se sabe, continua sendo o destino de quem tem a felicidade de viver muito.
O Brasil está envelhecendo, e o envelhecimento saudável tem sido uma tônica entre os idosos. Por esta e outras razões, transformar a idade de alguém que pleiteia um cargo público, através do voto popular, em defeito político significa mandar uma mensagem bastante perigosa para milhões de brasileiros: depois de determinada idade, a experiência acumulada deixa de ser um ativo exponencial, a trajetória percorrida perde a importância e o cidadão deve simplesmente sair de cena.
Donald Trump completou 80 anos em junho. E não é uma aberração estatística: está entre os 20 líderes nacionais mais velhos do planeta. Em levantamento feito em 186 países, o Pew Research Center encontrou idade mediana de 63 anos entre seus líderes. Paul Biya, de Camarões, tinha 93; o rei Salman, da Arábia Saudita, 90.
Então fica difícil compreender uma política em que a idade de Lula serve para piada, mas os 80 anos de Trump deixam de ser problema, a depender de quem faz a avaliação.
Há ainda outra ironia nisso tudo.
Estamos falando do Senado da República.
O próprio nome deveria dar alguma pista.
O Senado nasceu historicamente associado à ideia de experiência, maturidade e conhecimento acumulado. Não é exatamente o lugar mais lógico para vender juventude como se fosse, por si só, um certificado de competência.
Ser jovem não desqualifica ninguém. Ser idoso também não.
A pergunta deveria ser outra: o que cada candidato tem a acrescentar à nação e ao seu estado?
Talvez essa seja uma discussão muito mais interessante para a eleição do Piauí.
Ao eleitor mais jovem, inclusive, fica uma sugestão simples.
Pegue o celular.
Abra o Google.
Digite o nome de cada candidato ao Senado pelo Piauí.
Pesquise um por um.
Veja quem já exerceu mandato. O que apresentou. O que aprovou. O que trouxe para o Piauí. Quais causas defendeu e defende.
Faça com todos.
Depois compare.
Porque eleição para o Senado não é concurso para detectar quem tem menos rugas no rosto.
Juventude passa. Experiência chega e se instala.
Pessoal e intransferível.
Fica a reflexão.
De segunda a sexta, um resumo dos fatos que importam, direto no seu e-mail e de forma gratuita.
Eleições 2026
CRISE INSTITUCIONAL
Ataques
Crime
Colunão do Feitosa
Eleições 2026
Homicídio
Sessão
Propostas
Decisão
Colunão do Feitosa
PLANEJAMENTO
SEGURANÇA NO TRÂNSITO
ARTICULAÇÃO POLÍTICA
JULGAMENTO
Os bastidores do poder no Piauí e no Brasil. A notícia sem rodeios. Lupa1 é jornalismo imparcial com conteúdo exclusivo e diário.
Termos de uso Política de Privacidade Princípios Editoriais
© 2026 Portal Lupa1. Todos os direitos reservados.