Por Victor Sampaio
29 de setembro de 2025 às 14:56 ▪ Atualizado há 2 meses
No último sábado (27), São Paulo recebeu a segunda edição do Spaten Fight Night, evento que colocou frente a frente duas lendas brasileiras: Wanderlei Silva e Acelino “Popó” Freitas. O que prometia ser uma noite de celebração do esporte e da cultura de combate terminou em confusão, com briga generalizada após a desclassificação de Wanderlei e cenas que rodaram a internet. A pergunta que fica é: foi bom ou ruim para a Spaten, cervejaria que dá nome ao show?
Se existe uma máxima no marketing é: ninguém comenta o que não conhece. E nesse quesito, o Spaten Fight Night foi um sucesso.
O evento alcançou 12,3 pontos de audiência na Globo, superando atrações tradicionais de sábado como Altas Horas e Escolinha.
Nas redes sociais, a luta foi trending topic, somando milhares de menções. Só no X (antigo Twitter), foram mais de 12 mil comentários, boa parte com vídeos que viralizaram.
Portais esportivos, sites de notícias e programas de TV repercutiram o caso no dia seguinte, colocando o nome “Spaten” em manchetes e rodando em rodas de conversa Brasil afora.
Do ponto de vista de top of mind (marcas lembradas na cabeça do consumidor), a cervejaria conseguiu o que queria: exposição em massa.
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Mas aqui entra outra máxima do marketing: não basta aparecer, é preciso aparecer bem.
A análise de sentimento mostrou 6.100 menções negativas a Wanderlei Silva e 331 diretamente ao Spaten Fight Night.
A marca, mesmo sem culpa direta na confusão, foi arrastada para dentro de um noticiário negativo: violência, desorganização e críticas à esportividade do espetáculo.
A própria Spaten precisou emitir comunicado repudiando os fatos — sinal de que a repercussão saiu do controle.
Ou seja, a visibilidade veio acompanhada de um “risco reputacional”: para parte do público, a lembrança associada à marca não foi a da cerveja gelada, mas da pancadaria fora de hora.
Na teoria do marketing, existe o chamado “Efeito Polêmico”: quando uma ação gera barulho, engajamento e lembrança, mesmo que nem sempre positivos. Muitas marcas já usaram disso para se diferenciar em mercados saturados.
No caso do Spaten Fight Night:
Pró: A marca se posiciona como ousada, jovem, ligada ao entretenimento e ao esporte de contato.
Contra: Pode afastar consumidores mais tradicionais, que valorizam estabilidade e associação a momentos positivos.
No fim das contas, a Spaten ganha em visibilidade e “talkability” (ser comentada), mas corre o risco de ser lembrada pela confusão — e não pela festa.
Então: bom ou ruim?
Depende do ponto de vista:
Para quem mede apenas alcance, foi um golaço. A Spaten colocou seu nome em milhões de lares brasileiros.
Para quem valoriza imagem e reputação, o saldo é ambíguo: junto com a lembrança, veio também uma nuvem de críticas.
No curto prazo, a cervejaria ganhou espaço. Mas no longo prazo, terá que investir em narrativas positivas — novas campanhas, ativações divertidas e experiências memoráveis — para que o público não associe sua marca apenas ao dia em que uma luta de boxe virou briga de rua.
Em resumo: o Spaten Fight Night mostrou que marketing de impacto é também marketing de risco. A cervejaria ganhou exposição, mas agora precisa provar que sabe transformar barulho em reputação sólida.
Veja vídeo da confusão:
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