A lista de interessados em disputar o Governo do Piauí cresceu ao longo da pré-campanha, chegou a reunir 14 nomes e começou a encolher antes mesmo da abertura das convenções partidárias. Após as desistências de Ravenna Castro, Jesus Rodrigues, José Maia Filho, o Mainha, e Toni Rodrigues, restam dez pré-candidaturas anunciadas, mas nem todas devem chegar ao registro definitivo na Justiça Eleitoral.
As convenções serão realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. É nesse período que partidos e federações decidirão oficialmente quem disputará cada cargo, quais alianças serão formadas e quem precisará abandonar a corrida para apoiar outro projeto. Os pedidos de registro deverão ser apresentados até 15 de agosto.
Entre os nomes colocados, Rafael Fonteles, do PT, e Joel Rodrigues, do Progressistas, chegam ao período das convenções com as pré-candidaturas mais estruturadas. Os dois concentram as principais articulações partidárias, possuem chapas majoritárias em construção e devem representar os maiores blocos políticos na disputa pelo Palácio de Karnak.
Rafael Fonteles tentará a reeleição sustentado por uma aliança que pode reunir até dez partidos. A convenção conjunta da base governista está marcada para 25 de julho, em Teresina, quando devem ser homologadas as candidaturas ao Governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa. O governador também mantém abertas as negociações para receber novas adesões até o encerramento do prazo das convenções.
A composição governista já tem Washington Bandeira, do PT, indicado para a vaga de vice. A definição antecipada da chapa e a concentração de partidos na mesma aliança deixam a candidatura de Rafael Fonteles fora da zona de risco das convenções. Nesse bloco, a principal dúvida não está no candidato ao Governo, mas na distribuição dos partidos entre as chapas proporcionais e no fechamento das candidaturas ao Senado.
Joel Rodrigues também deve ter o nome confirmado pelo Progressistas. O ex-prefeito de Floriano foi escolhido para liderar o principal projeto de oposição e trabalha com Jeová Alencar, do União Brasil, na vaga de vice. A aliança foi fortalecida pela decisão do PL de retirar a pré-candidatura de Toni Rodrigues e apoiar o nome apresentado pelo Progressistas.
O acordo reúne Progressistas, União Brasil e PL em torno da candidatura de Joel Rodrigues. A composição mantém Jeová Alencar como candidato a vice-governador e abre espaço para Tiago Junqueira disputar uma das vagas ao Senado ao lado de Ciro Nogueira.
A retirada de Toni Rodrigues encerrou a principal indefinição existente no bloco oposicionista. O jornalista defendia a manutenção da candidatura própria do PL e afirmava que caberia à direção partidária assumir publicamente qualquer decisão de retirar seu nome.
A direção estadual, no entanto, decidiu abandonar o projeto próprio e integrar a aliança construída pelo Progressistas. Toni confirmou que deixou de ser pré-candidato, declarou respeito à decisão interna e passou a avaliar sua permanência no partido.
A adesão do PL fortalece a tentativa de unificação da oposição em torno de Joel Rodrigues. O movimento já havia ganhado força depois que Mainha retirou sua pré-candidatura pelo Podemos e anunciou apoio ao ex-prefeito de Floriano.
Com as duas desistências, o campo oposicionista reduziu a fragmentação e concentrou partidos, lideranças e estrutura eleitoral em uma candidatura considerada capaz de enfrentar Rafael Fonteles. Joel também amplia o espaço destinado à formação das chapas proporcionais e à disputa pelas duas vagas ao Senado.
Fora dos dois grandes blocos, permanecem anunciadas as pré-candidaturas de Elizeu Aguiar, pelo Novo, Lúcia Santos, pelo PSDB, Geraldo Carvalho, pelo PSTU, Lourdes Melo, pelo PCO, Professor Gisvaldo, pelo PSOL, Professor Jurity, pelo Democracia Cristã, Santiago Belizário, pela Unidade Popular, e Gustavo Henrique, pelo Avante.
Algumas dessas candidaturas são sustentadas por partidos que tradicionalmente utilizam a disputa majoritária para apresentar programas próprios, fortalecer suas chapas proporcionais e ocupar espaço nos debates eleitorais. Nesse grupo, nomes ligados ao PSTU, PCO, PSOL e Unidade Popular possuem maior possibilidade de serem mantidos mesmo sem alianças amplas, porque representam projetos ideológicos próprios e não dependem necessariamente de composição com os principais blocos.
Geraldo Carvalho, Lourdes Melo, Professor Gisvaldo e Santiago Belizário, portanto, podem sobreviver às convenções mesmo com estruturas menores. A Unidade Popular saiu na frente ao anunciar Santiago Belizário para o Governo e Thays Dias como vice, formando uma das poucas chapas completas apresentadas antes do período oficial de escolha dos candidatos.
As maiores dúvidas recaem sobre as candidaturas de partidos que ainda podem priorizar alianças, chapas proporcionais ou negociações nacionais. Elizeu Aguiar, Lúcia Santos, Professor Jurity e Gustavo Henrique dependem das decisões finais de suas siglas e da capacidade de fechar chapas completas, garantir recursos e sustentar uma campanha estadual.
No caso da federação formada por PSDB e Cidadania, a pré-candidatura de Lúcia Santos foi fortalecida após Jesus Rodrigues retirar seu nome da corrida e anunciar que disputará uma vaga de deputado federal. Ao explicar a decisão, Jesus declarou apoio ao projeto majoritário encabeçado pela médica, o que indica que a federação pretende manter candidatura própria ao Governo.
Elizeu Aguiar também chega às convenções como o nome apresentado pelo Novo, enquanto Gustavo Henrique foi anunciado pelo Avante. Apesar das movimentações públicas, as convenções ainda poderão alterar essas decisões, especialmente se as direções nacionais orientarem alianças ou se os partidos concluírem que a candidatura majoritária comprometerá recursos destinados às disputas proporcionais.
O cenário atual aponta para a confirmação de Rafael Fonteles e Joel Rodrigues como os principais candidatos. A retirada de Toni Rodrigues fortaleceu o bloco liderado pelo Progressistas, enquanto as candidaturas dos partidos menores devem depender menos das pesquisas e mais da estratégia eleitoral adotada por cada legenda.
Ao final das convenções, o Piauí poderá sair dos atuais dez pré-candidatos para uma disputa com aproximadamente oito ou nove nomes. A redução será determinada pelas alianças de última hora, pela formação das chapas de vice e pela decisão dos partidos sobre onde concentrar dinheiro, estrutura e tempo de propaganda.
Até 5 de agosto, os nomes mantidos pelas legendas continuam sendo pré-candidatos. Somente depois das convenções e da apresentação dos pedidos de registro será possível saber quem realmente estará na urna para disputar o comando do Palácio de Karnak.
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