Renato Montanha

Presidente Bolsonaro escolhe novos comandantes para Ministério da Defesa

Mesmo com a escolha, a cúpula das Forças Armadas ainda não engoliu a demissão coletiva dos chefes de Exército, Marinha e Aeronáutica

Paulo Sérgio Oliveira foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro como comandante do Exército. O militar, que dirigia o Departamento-Geral de Logística (DGP) da Força, substituirá Edson Leal Pujol, demitido pelo chefe do Planalto, após uma série de embates que resultou na troca do ministro da Defesa e dos comandantes das Forças Armadas. A nomeação de Paulo Sérgio foi a maneira encontrada por Bolsonaro para aliviar a tensão e evitar a perda total de apoio da caserna.

Na Marinha, assume o almirante Almir Garnier dos Santos, no lugar do almirante de esquadra Ilques Barbosa Júnior; e na Força Aérea Brasileira (FAB), o tenente-brigadeiro do ar, Carlos de Almeida Baptista Junior, que ocupará a vaga aberta com a saída do tenente-brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez. Garnier era o segundo da lista de antiguidade, e Baptista Junior, o primeiro, o que mostra que Bolsonaro quis seguir o critério estipulado entre militares.

Mesmo com a escolha, a cúpula das Forças Armadas ainda não engoliu a demissão coletiva dos chefes de Exército, Marinha e Aeronáutica, fato inédito, que abriu a maior crise entre o governo e os militares em 50 anos de história. Mas a avaliação, por ora, é de que o Executivo ganhou pontos com as nomeações e entendeu o recado claro de que as Forças Armadas são instituições de Estado, não de governo, portanto, não aceitarão qualquer investida autoritária.

Novos comandantes

Nos hospitais militares, os medicamentos utilizados são baseados em recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em sentido oposto, o Ministério da Saúde chegou a adotar protocolo endossando o uso de medicamentos sem comprovação científica comprovada contra a doença, como hidroxicloroquina e ivermectina. Sob a gestão de Paulo Sérgio, esses medicamentos só podem ser usados em consenso entre médico e paciente, e o doente deve assinar um termo de responsabilidade reconhecendo os riscos de fazer uso de remédios sem eficiência contra a covid-19.

Na entrevista, Paulo Sérgio enfatizou: “Os números são relativamente bons em relação à população em geral, por conta da prevenção que temos. O índice de letalidade é muito baixo, menor do que na rede pública, graças a essa conscientização, essa compreensão, que é o que eu acho que, se melhorasse no Brasil, provavelmente, o número de contaminados seria bem menor”.

Irritado com a entrevista e sem diálogo com Pujol, Bolsonaro decidiu demitir o então ministro da Defesa, Fernando Azevedo, que não compartilha da ideia de politizar os quartéis. Em seguida, foram dispensados os comandantes das Forças Armadas.

A apresentação dos novos comandantes foi curta, não durou 5 minutos. Braga Netto leu uma declaração, destacando que a nomeação dele é uma prerrogativa constitucional do presidente da República. O novo ministro destacou que o desafio do país, no momento, é o combate à covid-19 e que todo o governo “tem mobilizado seus esforços e energias para o enfrentamento dos impactos desta pandemia”.

“As Forças Armadas são fatores de integração nacional e têm contribuído, diuturnamente, nessa tarefa com a Operação Covid-19, com inúmeras atividades, entre elas, a de logística de transporte de EPIs (equipamentos de proteção individual) e oxigênio, a evacuação de pacientes de Manaus para todo o país e a vacinação de povos indígenas em áreas remotas”, frisou. “Os militares não faltaram no passado e não faltarão sempre que o país precisar.” Ele emendou dizendo que as três Forças “se mantêm fiéis às suas missões constitucionais de defender a pátria, garantir os poderes constitucionais e as liberdades democráticas”, encerrou. 

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