Em prefácio de "O Parnaíba Tem Feitiço", Sarney afirma que Hugo Napoleão foi decente e honesto

"O Parnaíba Tem Feitiço" será lançado no próximo dia 27 de agosto, em Brasília, e políticos de todos os lados já reservaram a data.

Ao prefaciar o livro de memórias "O Parnaíba Tem Feitiço", o ex-presidente José Sarney, perto de completar 95 anos, afirma que o seu autor, o ex-governador Hugo Napoleão do Rego Neto, foi um político "talentoso, decente e honesto".

 No xadrez do Senado, Hugo Napoleão segura a última peça - Foto: Lupa1   

Dia 27 de agosto

"O Parnaíba Tem Feitiço" será lançado no próximo dia 27 de agosto, em Brasília, e políticos de todos os lados já reservaram a data.

Grandeza de não perseguir

No seu prefácio, Sarney destaca uma das maiores qualidades de Hugo Napoleão: o sentimento do perdão, a grandeza dos que não perseguiram adversários.

O prefácio, HUGO NAPOLEÃO - O PARNAÍBA TEM FEITIÇO

Transcrevo aqui todo o conteúdo do prefácio de José Sarney ao livro de Hugo Napoleão, esse homem temente a Deus e bom de coração!

Confira:

HUGO NAPOLEÃO - O PARNAÍBA TEM FEITIÇO

Todos nós, não importa se um grande autor, empresário, artista ou um soldado guerreiro, guardamos pequenos momentos de ternura da infância que, ao longo da vida, nos acompanham e nos transformam naquilo que somos.

Esta é a história de um homem com a ternura da vida inteira.

Como todos, teve alegrias e sofrimentos. Encarou as agruras da política que todo político acaba enfrentando. Bons homens têm de percorrer esse caminho em nome de algo maior e melhor. Se assim não fizessem, a vida em harmonia não seria possível de ser vivida em sociedade.

O enfeitiçado do Parnaíba enfrentou mazelas na vida. Mas percebe-se que não guardou um único vestígio de ressentimento. Soube perdoar. Talvez por isso suas conquistas foram muitas. Pois todos sabem que apenas quem aprende a perdoar consegue realizar algo ou alcançar seus objetivos.

Hugo Napoleão sentiu também a dor da saudade. A sua decisão de não seguir a carreira diplomática — caminho do bisavô, do avô e de seu pai — nos conta o quão difícil é a vida daqueles que, por seu país, têm de permanecer por muito tempo longe de seus filhos. Os filhos "despaisados", como diz.

Mas a história familiar relatada neste livro é uma história em que o amor está presente o tempo todo. Prevalece. O cuidado de conservar o tapete sobre o qual o autor deu os primeiros passos é um registro de cuidado e carinho que emociona.

Hugo Napoleão ocupou vários cargos de comando na vida pública e privada. Poliglota, proferiu palestras em vários países. Foram muitas. Sua boa formação cultural e acadêmica lhe permitiu o reconhecimento de seu trabalho mundo afora.

Ao ler suas memórias, percebo mais um porquê de seu êxito em tudo que fazia: sua plena organização, com registro de todos os fatos, dos feitos da vida toda, das viagens a trabalho e a lazer, das pessoas que encontrou mundo afora ou com quem conviveu e trabalhou, tudo contado minuciosamente, em ordem, demonstra o segredo do seu sucesso.

Incansável, sempre num esforço inabalável, é possível acompanhar e conhecer o resultado de todas as suas atividades parlamentares, em todos os mandatos. Pareceres, requerimentos, projetos de lei, indicações, sugestões, discursos, projetos de comunicação e grandes pronunciamentos lhe renderam merecidos aplausos.

Nos cargos eletivos que ocupou, mostrou o melhor do político: realmente, um político decente. Honesto.

O talento de Hugo Napoleão sempre foi testemunhado por mim. Acompanhei o seu notável governo do Piauí e sua passagem pela Câmara dos Deputados, onde sempre se distinguiu pelo exercício de postos de liderança e comando, com brilho e grande capacidade, sendo ele um hábil articulador político.

Quando assumi o cargo de Presidente da República, logo o recrutei para auxiliar-me. Inteligente, culto e capaz, à frente do Ministério da Educação e, depois, do da Cultura, colocou todo seu talento na tarefa de servir ao Brasil.

Napoleão lembra neste relato de uma longa conversa nossa no Palácio de Karnak, quando ele governava o Piauí, em 1984, e eu me juntara a Tancredo Neves para iniciar nossa batalha para a redemocratização do País. Ele registra, e eu também recordo este encontro, as minhas palavras para convencê-lo a apoiar a causa da democracia: "Governador, o Brasil está passando por um período histórico."
Então, pedi que ele se juntasse a mim e ao Tancredo nessa empreitada. E ele o fez: o Piauí elegeu, em primeiro lugar no Brasil, os seus delegados ao Colégio Eleitoral para a minha eleição com Tancredo Neves para a Presidência da República.

Tive, e tenho, grande amizade por Hugo Napoleão. Esta amizade nasceu com seu pai, também Napoleão, Aluizio Napoleão, profissional com grande expressão na diplomacia brasileira. Quando, como Presidente da República, visitei a China e fui recebido por Deng Xiaoping, encontrei a passagem de seu pai por lá: numa placa que registrou ter sido ele quem inaugurara a nossa Embaixada naquele país.

Napoleão também nos dá o prazer de contar neste livro algumas histórias engraçadas. O leitor vai se deliciar com o caso do pai do Ministro Marcílio Marques Moreira. É hilariante, com um desfecho que nos permite rir gostosamente da excentricidade do ser humano. Tem o caso da PIDE, a política portuguesa, e da campainha. Tem o susto com a história da perda do sapato. Tem também o "ovário da madrugada". Muito boa. E há mais…

Hugo Napoleão é um dos maiores talentos de sua geração. Este livro é o testemunho valioso de sua experiência de vida.

É a história de alguém que, feito um velho amigo, convida todos à ternura de sentar-se a sua mesa, junto de sua família e de suas memórias, no prazer real da convivência, como se estivessem tomando um gostoso vinho (ou, como de sua preferência, o velho whisky Johnnie Walker Red Label), saboreando, com suas lembranças, a satisfação de reviver sua vida, como se dela estivesse participando.

O livro é, assim, um convite à mesa de Hugo Napoleão no prazer da convivência de bons amigos.

Certamente, depois começa o início de um novo ciclo.