A segunda fase da Operação Chip Falso resultou, nesta quinta-feira (20), na prisão do homem apontado pela Polícia Civil como líder de uma organização criminosa investigada por assumir ilegalmente linhas telefônicas e utilizá-las na aplicação de golpes eletrônicos.
Em entrevista à TV Lupa1, o delegado Humberto Mácola explicou que as informações que levaram à nova etapa foram obtidas a partir da análise de celulares apreendidos e de depoimentos colhidos durante a primeira fase da investigação, realizada em julho.
Segundo o delegado, o líder do grupo recrutava pessoas para fornecer dados pessoais e selfies utilizados no esquema. Em troca, os participantes recebiam entre R$ 200 e R$ 300 por cadastro.
“Ele era responsável por copitar pessoas pra entregar seus selfies, seus cadastros e assim receber a linha que era derrubada de uma de bem, de inocente”, explicou.
De acordo com a investigação, o grupo conseguia acessar sistemas de operadoras e realizar a transferência indevida da titularidade das linhas, prática conhecida como SIM Swap. Com o número da vítima sob controle, os suspeitos poderiam acessar códigos de verificação e tentar assumir contas de WhatsApp, redes sociais, serviços digitais e contas bancárias.
As vítimas foram identificadas em diferentes estados do país. Conforme a SSP-PI, há registros em São Paulo, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Minas Gerais.
Nove presos e mais de 100 pessoas investigadas
Nesta segunda fase, foram expedidos 32 mandados judiciais, entre buscas e prisões temporárias. Segundo Humberto Mácola, 16 mandados eram de prisão e, até o momento da entrevista, nove pessoas haviam sido capturadas. As equipes continuavam nas ruas em busca dos demais alvos.
A investigação também identificou mais de 100 pessoas que teriam fornecido dados para o esquema. Segundo o delegado, parte delas está sendo intimada para prestar depoimento.
Mácola afirmou ainda que a mulher presa na primeira fase da operação é companheira do homem apontado como líder da organização.
Polícia alerta para perda repentina de sinal
A Polícia Civil orienta que usuários fiquem atentos à perda repentina e prolongada do sinal do celular. Caso o aparelho deixe inesperadamente de realizar ligações ou acessar serviços vinculados ao número, a recomendação é procurar imediatamente a operadora para verificar se houve uma transferência não autorizada da linha.
Em caso de irregularidade, a orientação também é registrar boletim de ocorrência para documentar a possível fraude.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e apurar a extensão dos golpes praticados pelo grupo.