A Justiça determinou a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Júlio César Carvalho, motorista que atropelou o policial penal maranhense Gilvan Furtado Leite, de 53 anos, e a filha dele, de 20 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em Teresina. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada após a prisão em flagrante do suspeito, que recebeu liberdade provisória mediante pagamento de fiança de R$ 10 mil.
Além de ficar proibido de conduzir veículos automotores enquanto o processo estiver em andamento, o investigado deverá cumprir uma série de medidas cautelares determinadas pela Justiça. Entre elas estão o comparecimento periódico para informar suas atividades, a proibição de deixar a comarca sem autorização judicial e o recolhimento domiciliar durante o período noturno e nos dias de folga. O descumprimento das determinações poderá resultar na decretação da prisão preventiva.
Segundo o auto de prisão em flagrante, o condutor é investigado por lesão corporal culposa grave ou gravíssima na direção de veículo automotor, com suspeita de alteração da capacidade psicomotora em razão do consumo de álcool ou outra substância psicoativa. Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que havia elementos para a continuidade das investigações, mas considerou que não estavam presentes os requisitos legais para manter a prisão preventiva.
O atropelamento aconteceu na noite do último sábado (6), no bairro Bela Vista, zona Sul da capital. Gilvan Furtado trafegava em uma motocicleta acompanhado da filha quando os dois foram atingidos por um carro que, segundo as investigações, teria invadido a contramão.
De acordo com familiares, o percurso fazia parte da rotina do policial penal. O primo da vítima relatou que Gilvan costumava sair de motocicleta com a filha para ajudá-la na regulação emocional, uma prática frequente desde que a jovem foi diagnosticada com TEA.
Após o acidente, o motorista foi conduzido à Central de Flagrantes apresentando sinais de embriaguez, conforme informou a Polícia Militar do Piauí. A informação passou a integrar a linha de investigação conduzida pela Polícia Civil.
Estado de saúde
Conforme o Sindicato dos Policiais Penais do Maranhão (Sinppem-MA), Gilvan permanece internado em estado grave após sofrer fraturas nas vértebras L1, L2 e L3 da coluna, além de trauma cranioencefálico com pequenas hemorragias cerebrais.
Já a filha do policial apresentou evolução clínica positiva. Após os primeiros atendimentos, ela foi transferida para a enfermaria de um hospital particular de Teresina, onde segue em recuperação.