Homem é indiciado por ameaça e lesão corporal após apontar arma para jovens em condomínio de Teresina

Investigação identificou três vítimas; polícia constatou que objeto utilizado pelo suspeito era uma arma de airsoft e não houve disparos.

A Polícia Civil do Piauí indiciou, nesta quarta-feira (2), David Macêdo, de 43 anos, pelos crimes de ameaça e lesão corporal após uma confusão registrada em um condomínio no bairro Uruguai, na Zona Leste de Teresina. O episódio aconteceu no dia 21 de agosto e ganhou repercussão depois que vídeos mostraram o homem segurando e apontando um objeto semelhante a uma arma de fogo para moradores. 

 Homem é indiciado por ameaça e lesão corporal após apontar arma para jovens em condomínio de Teresina - Foto: Reprodução   

De acordo com a investigação, o conflito começou após uma discussão relacionada ao volume do som em uma área de lazer do condomínio. A Polícia Civil informou que a suposta perturbação do silêncio não chegou a ser confirmada, pois o equipamento teria sido desligado logo no início das reclamações.

Três pessoas foram apontadas como vítimas

Ao longo da investigação, a Polícia Civil identificou três vítimas diretamente relacionadas ao caso: um adolescente de 17 anos e dois jovens, de 18 e 19 anos. Uma das vítimas, uma mulher de 18 anos, relatou ter sido atingida na testa pelo objeto utilizado durante a confusão. 

Segundo a delegada Amanda Bezerra, responsável pelo inquérito, a jovem foi considerada vítima também em razão de elementos relacionados à questão de gênero identificados durante a apuração. Ela procurou a Casa da Mulher Brasileira e solicitou uma medida protetiva. 

O adolescente teria sido atingido na cabeça com uma coronhada, enquanto o terceiro jovem também teria sofrido agressões e ameaças.

Objeto era uma arma de airsoft

Um dos principais pontos esclarecidos pela investigação foi a natureza do objeto utilizado por David Macêdo.

 DAVID MACEDO - Foto: Reprodução  

Inicialmente, a defesa havia afirmado que se tratava de uma arma de brinquedo. No entanto, o equipamento apresentado pelo próprio investigado à Polícia Civil foi identificado como uma arma de airsoft com estrutura metálica, compatível com aquela que aparece nas imagens divulgadas nas redes sociais. 

A delegada explicou que não houve disparos durante a ocorrência e que o porte de uma arma de airsoft, por si só, não configura o crime de porte ilegal de arma de fogo previsto no Estatuto do Desarmamento. Neste caso, porém, segundo a investigação, o objeto teria sido utilizado para intimidar as vítimas e durante as agressões. 

Briga também terminou com ataque ao carro

A investigação analisou ainda imagens de outro momento da confusão. No vídeo, moradores aparecem arremessando garrafas e tijolos contra o veículo de David Macêdo.

Segundo a delegada, a Polícia Civil não conseguiu identificar os responsáveis pelos danos. A ocorrência relacionada ao veículo foi considerada de menor potencial ofensivo, e, conforme a autoridade policial, o caso é de ação penal privada, não havendo indiciamento dos envolvidos nessa parte. 

A defesa de David havia alegado que o ataque ao veículo teria causado um prejuízo de aproximadamente R$ 40 mil e sustentado que o homem foi cercado e agredido por cerca de 15 pessoas.

Conforme os relatos reunidos durante a apuração, antes da confusão houve uma discussão em um grupo de WhatsApp dos moradores sobre o comportamento dos jovens e o som utilizado durante uma confraternização.

David teria ido até a área de lazer para reclamar do barulho. Depois que o som foi desligado, a discussão continuou entre os envolvidos.

Vídeos feitos por moradores registraram parte do confronto e mostraram David segurando o objeto semelhante a uma arma e apontando-o para pessoas que estavam no local. As imagens foram fundamentais para a repercussão do caso e também analisadas pela Polícia Civil. 

Defesa apresenta versão diferente

Desde o início do caso, a defesa de David Macêdo contesta a versão apresentada pelas vítimas.

 Homem é indiciado por ameaça e lesão corporal após apontar arma para jovens em condomínio de Teresina - Foto: Reprodução   

Os advogados afirmaram que o homem teria acionado a polícia por causa do barulho e permanecido durante horas na portaria do condomínio. Segundo a defesa, quando tentou retornar ao apartamento, ele teria sido cercado por aproximadamente 15 pessoas e atacado com garrafas e pedras.

A defesa também sustentou inicialmente que o objeto mostrado nas imagens era uma arma de brinquedo. Posteriormente, porém, a Polícia Civil confirmou que se tratava de uma arma de airsoft. 

Em manifestação mais recente, os advogados informaram que têm conhecimento do indiciamento e que continuarão acompanhando o caso. Segundo a defesa, outros detalhes não serão antecipados neste momento por respeito ao devido processo legal e à estratégia defensiva. 

Inquérito foi concluído

Com a coleta dos depoimentos de vítimas, testemunhas e pessoas responsáveis pela segurança do condomínio, a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou David Macêdo por ameaça e lesão corporal.

O indiciamento representa a conclusão da investigação policial e o entendimento da autoridade policial de que existem elementos que apontam para a prática dos crimes. A decisão sobre eventual responsabilização criminal cabe ao Ministério Público e à Justiça, nas etapas seguintes do processo.

O caso, que começou com uma discussão aparentemente relacionada ao volume de som, passou a envolver agressões, ameaças, uma arma de airsoft e também danos ao veículo do investigado. A Polícia Civil, contudo, separou as condutas atribuídas a cada participante e, até o momento, somente David Macêdo foi indiciado pelos crimes de ameaça e lesão corporal.