Carbono Oculto 86: MP denuncia 12 investigados por lavagem de dinheiro para o PCC em postos de combustíveis

Ministério Público pede a condenação dos denunciados ao pagamento de cerca de R$ 74,2 milhões por danos morais coletivos.

O Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) apresentou denúncia contra 12 pessoas investigadas na "Operação Carbono Oculto 86", deflagrada em novembro de 2025 nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins. A investigação apura um esquema suspeito de utilizar postos de combustíveis, empresas de fachada, fintechs e fundos de investimento para lavar dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

 Operação Carbono Oculto 86 - Foto: SSP-PI   

A denúncia foi oferecida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela 6ª Promotoria de Justiça de Teresina. Segundo o Ministério Público, o grupo investigado integraria um núcleo financeiro e operacional ligado à organização criminosa.

De acordo com a acusação, os investigados são suspeitos de crimes como adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento de consumidores, falsidade ideológica e lavagem de capitais. As irregularidades teriam ocorrido entre os anos de 2016 e 2025.

As investigações começaram após denúncias e registros de boletins de ocorrência feitos por consumidores que relataram problemas na qualidade dos combustíveis. As suspeitas foram confirmadas por fiscalizações realizadas por órgãos como o Instituto de Metrologia do Estado do Piauí (Imepi), o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Procon.

Segundo o MP-PI, as fraudes incluíam manipulação dos sistemas de medição das bombas e adulteração da qualidade do combustível. O Gaeco também identificou a contratação de uma pessoa de fora do estado para alterar placas medidoras em postos investigados.

Ainda conforme a denúncia, o grupo utilizaria “laranjas” para ocultar a origem de recursos financeiros e dar aparência legal ao dinheiro movimentado.

Durante a investigação, a Justiça determinou a interdição de postos ligados às redes HD e Diamante e o bloqueio de bens dos investigados. A operação também teve como alvos 49 postos de combustíveis nos três estados, sendo 42 no Piauí e 16 em Teresina.

Na ação penal, o Ministério Público pede a condenação dos denunciados ao pagamento de cerca de R$ 74,2 milhões por danos morais coletivos. O processo agora aguarda decisão do Judiciário sobre o recebimento da denúncia e o início da tramitação.