O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Piauí (Sindjor-PI) divulgou uma nota de repúdio a um comentário ofensivo publicado nas redes sociais da TV Clube contra a jornalista Ângela Bispo, apresentadora do Bom Dia Piauí. Na manifestação, a entidade aponta que ataques pessoais contra profissionais da comunicação ultrapassam os limites do respeito e afirma que a liberdade de expressão não pode ser usada para justificar o racismo.
No comunicado, o sindicato presta solidariedade à jornalista e destaca sua trajetória profissional. Negra, mãe e formada pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Ângela Bispo trabalhou na TV Antares e integra a TV Clube desde 2021, com atuação na cobertura jornalística do estado.
Segundo o Sindjor-PI, a competência e a experiência profissional não impedem que jornalistas negras sejam alvo de manifestações discriminatórias. Para a entidade, esse tipo de ataque atinge a dignidade das profissionais e contribui para a perpetuação do racismo nos espaços públicos.
Jornalista afirma que não quer mais se calar
Na nota, o sindicato relata que, em conversa com a entidade, Ângela Bispo afirmou que já guardou para si comentários dessa natureza, mas decidiu que não quer mais permanecer em silêncio diante das situações.
“Não podemos mais silenciar em relação a isso”, declarou a jornalista, conforme o comunicado do Sindjor-PI.
A entidade relaciona o episódio às dificuldades enfrentadas por mulheres negras no mercado de trabalho e cita dados da pesquisa Perfil Racial da Imprensa Brasileira, realizada em 2021 pelo Jornalistas&Cia, Portal dos Jornalistas, Instituto Corda e I’MAX.
De acordo com os números mencionados pelo sindicato, cerca de 98% dos jornalistas negros entrevistados relataram dificuldades para se desenvolver na carreira. Entre as jornalistas negras ouvidas, 52,3% afirmaram já ter sofrido misoginia e racismo no ambiente profissional.
Sindicato cobra medidas contra o racismo
O Sindjor-PI afirma que críticas ao trabalho jornalístico são legítimas quando feitas com fundamentação, mas ressalta que ofensas pessoais e manifestações discriminatórias não podem ser tratadas como simples exercício da liberdade de expressão.
A entidade informou que está à disposição de Ângela Bispo para oferecer apoio na denúncia e na busca por medidas legais cabíveis. O sindicato também pretende dialogar com a Rede Clube para reivindicar ações mais efetivas de prevenção e enfrentamento ao racismo no ambiente jornalístico.
Ao final da nota, o Sindjor-PI reafirma seu compromisso com a defesa dos profissionais da comunicação, a igualdade racial e o fortalecimento de um jornalismo plural e democrático. A entidade também defende que a nova gestão reative comissões internas de monitoramento e acompanhamento de casos de violência contra jornalistas, com o objetivo de ampliar a atuação sindical diante desse tipo de ocorrência.