O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (05) que renunciará ao cargo. A decisão foi comunicada enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment contra ele, em meio à crise provocada pela liquidação do banco digital Ueno. A renúncia foi encaminhada ao Congresso paraguaio, que precisa tratar da sucessão presidencial.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Peña afirmou que tomou a decisão “pensando na estabilidade” do país e pediu desculpas à população. O presidente também disse que sua prioridade é garantir a devolução dos recursos aos clientes afetados.
A crise começou após o Banco Central do Paraguai determinar a liquidação do Ueno Bank. Clientes ficaram sem acesso às contas e aos valores depositados. Peña foi acionista do grupo controlador da instituição até 2025, vínculo que levou opositores a acusá-lo de conflito de interesses e de omissão diante de irregularidades. As acusações ainda não representam uma conclusão judicial sobre a responsabilidade do presidente.
A abertura do impeachment ganhou força após integrantes da base governista retirarem apoio a Peña. O vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o cargo conforme os trâmites constitucionais e completar o mandato, previsto para terminar em 2028.
Economista e integrante do Partido Colorado, Peña assumiu a Presidência em 2023. A crise bancária também levou à prisão de executivos da instituição e ampliou a pressão pública por respostas e pela restituição dos depósitos.