O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, manifestou-se de forma contundente sobre a operação de busca e apreensão realizada contra o senador Ciro Nogueira. Em declaração à imprensa, Kakay destacou que a medida, autorizada pelo ministro André Mendonça, causa "estranheza" por não atingir nenhum dispositivo de posse direta do parlamentar.
Segundo o defensor, a ação judicial foi fundamentada exclusivamente em dados encontrados em celulares de terceiros. Kakay relembrou que, desde o auge da Operação Lava-Jato, o Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou o entendimento de que medidas invasivas exigem corroboração externa, não podendo ser decretadas apenas com base em delações ou mensagens de outrem.
"Não há nenhum celular do próprio senador Ciro Nogueira [na decisão]. Isso causa espécie. [...] O Supremo determinou que tinha que haver algum tipo de corroboração externa. Não se pode fazer uma medida simplesmente com base em hoje isso é pacífico", afirmou Kakay.
Apesar da crítica ao mérito jurídico da cautelar, o advogado fez questão de diferenciar a execução da diligência atual dos episódios do passado. Segundo ele, a busca foi "absolutamente respeitosa e tranquila", sem o que chamou de "espetacularização" característica de anos anteriores.
Kakay reiterou que o material apreendido não gera qualquer preocupação para a defesa do senador. O próximo passo da equipe jurídica será formalizar o pedido de acesso integral aos autos da investigação para compreender a totalidade das suspeitas levantadas pela Procuradoria e pelo Judiciário.
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