Imagine ter seu carro roubado. Já seria um grande susto. Agora imagine descobrir que ele foi encontrado. A primeira reação seria de alívio, de felicidade, de esperança de que o problema finalmente acabou.
Mas para uma família de Teresina, a história seguiu um caminho bem diferente.
O único carro da família foi roubado em 2024, localizado meses depois e, mesmo assim, não voltou para a proprietária. A Justiça do Piauí decidiu manter o veículo apreendido mesmo após a perícia confirmar a propriedade e o Ministério Público defender a devolução imediata.
O caso envolve o automóvel da auxiliar administrativa Kiane Inara.
O Chevrolet Prisma, ano 2016, de placa PIN-6185, foi roubado durante um assalto à mão armada em 9 de setembro de 2024 em Teresina.
Dois meses depois, em novembro de 2024, o veículo foi recuperado durante uma ação policial na zona rural de União. O que deveria encerrar a angústia da família acabou se transformando em uma longa batalha judicial.
Segundo a proprietária, ela nunca foi informada pelas autoridades sobre a recuperação do automóvel.
A descoberta aconteceu por iniciativa própria. Ao realizar buscas na internet, a família localizou o carro em um pátio administrado pela empresa Vip Leilões, onde o veículo estava custodiado aguardando decisão judicial.
A perícia realizada pelo Instituto de Criminalística, foi conclusiva. O laudo confirmou que o chassi, o motor e as etiquetas de identificação são originais e correspondem exatamente ao veículo registrado em nome da proprietária.
O exame também apontou que criminosos utilizavam uma placa clonada para circular com o automóvel.
Com base nessas provas, a 1ª Promotoria de Justiça de União se manifestou pela devolução imediata do carro. O parecer assinado pela promotora Renata Márcia Rodrigues Silva destacou que não existe mais necessidade de manter o veículo apreendido, já que a investigação foi concluída e a denúncia contra os suspeitos foi recebida pela Justiça.
Mesmo assim, a juíza Patrícia Luz Cavalcante decidiu negar o pedido de restituição.
Na decisão registrada em março de 2026, a magistrada afirmou que a ação penal ainda está em fase de instrução e que o carro foi encontrado com um suspeito investigado por falsidade documental. Segundo o entendimento judicial, a liberação do veículo neste momento poderia comprometer interesses do processo criminal, motivo pelo qual a restituição só poderia ocorrer após o encerramento definitivo da ação.
Enquanto isso, o carro permanece apreendido em um pátio particular. Exposto ao sol e à chuva, o veículo sofre deterioração física e perde valor com o passar do tempo.
A equipe de jornalismo da TV Lupa1 tentou contato com a 1ª Vara da Comarca de União para obter esclarecimentos sobre a decisão judicial, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.