O incêndio que atingiu a área da Embrapa Meio-Norte, na zona Norte de Teresina, provocou a morte de diversos animais silvestres. Saguis, pacas, tatus, cobras e camaleões foram encontrados mortos após as chamas destruírem parte da vegetação onde as espécies viviam. Três bichos-preguiça que eram cuidados por funcionários da instituição também morreram.
O fogo começou na segunda-feira (05) e ganhou grandes proporções na terça-feira (06), atingindo diferentes áreas da Embrapa. Mesmo com o incêndio controlado, novos focos ainda foram registrados nesta quarta-feira (07), inclusive nas proximidades do manguezal.
A equipe que acompanha os trabalhos encontrou animais que não conseguiram escapar das chamas e outros que tentavam buscar abrigo durante o incêndio. Uma jiboia, por exemplo, foi flagrada tentando se proteger em uma mangueira após uma possível toca do animal ser atingida pelo fogo.
Três bichos-preguiça não resistiram
Entre as perdas estão três bichos-preguiça que recebiam cuidados dos funcionários do Jardim Botânico. Os animais não resistiram ao incêndio.
A morte dos animais preocupa os funcionários porque a área da instituição funciona como um importante espaço de abrigo para espécies silvestres em meio à expansão urbana de Teresina.
Embrapa
Segundo Paulo Nogueira, chefe administrativo da Embrapa Meio-Norte, a instituição mantém uma extensa área de vegetação que serve como refúgio para a fauna.
“Os animais silvestres vêm a Embrapa como um refúgio dentro de um centro urbano. Praticamente a gente tem cidade em volta de tudo e aqui a gente tem uma área de preservação que é bem grande”, explicou.
O assistente da Embrapa Joel Duarte acompanhou o combate ao fogo e relatou a quantidade de animais encontrados mortos.
“É animal silvestre, que é da natureza. Fica na natureza: cobra, tatu, capivara, paca, sagui. Tudo morreu: sagui, cobra, camaleão”, relatou.
Fogo atingiu diferentes espécies
Além de mamíferos e répteis, o incêndio também afetou outros organismos que fazem parte do ecossistema, como insetos e abelhas.
Para Paulo Nogueira, o impacto ambiental é difícil de dimensionar porque envolve perdas de vidas que não podem ser simplesmente recompostas.
“Os bens materiais muitas vezes a gente consegue recuperar depois de um tempo, mas a vida não. Então, seja a vida de uma planta, seja a vida de um animal, às vezes essa perda fica difícil de você reparar, é irrecuperável”, afirmou.
A quantidade exata de animais mortos ainda não foi contabilizada.
Área continua com novos focos
O incêndio também atingiu o viveiro de mudas da Prefeitura de Teresina e chegou às proximidades da Fundação Deputada Francisca Trindade.
Nesta quarta-feira (07), mesmo após o controle das principais chamas, um novo foco foi registrado próximo ao manguezal. Equipes continuam acompanhando a área para evitar que o fogo volte a se espalhar.
Ainda não há uma estimativa oficial sobre a quantidade de hectares atingidos.
Pesquisas também podem ter sido prejudicadas
Além da perda da fauna, o incêndio atingiu áreas utilizadas em pesquisas e experimentos da Embrapa. Entre elas está o banco de germoplasma, que reúne materiais genéticos utilizados em estudos de diferentes espécies.
Segundo Paulo Nogueira, ainda não é possível determinar se pesquisas desenvolvidas há décadas foram perdidas. Uma avaliação deverá ser realizada pelas equipes técnicas da instituição.
“Isso é difícil da gente dizer com certeza neste momento, porque a gente precisa fazer uma reavaliação e as nossas equipes têm que ir a campo para fazer essa avaliação mais in loco”, explicou.
A Embrapa também deverá levantar os prejuízos provocados às estruturas e à vegetação.
Por enquanto, porém, a perda dos animais silvestres é uma das principais consequências do incêndio, especialmente porque muitas das espécies atingidas utilizavam a área como refúgio dentro da zona urbana de Teresina.