A quantidade de procedimentos envolvendo a Equatorial Piauí em diferentes municípios revela um problema que ultrapassa reclamações isoladas. Em uma única edição do Diário Oficial do Ministério Público, disponibilizado na última quinta-feira (06/08), foram publicados cinco procedimentos relacionados a falhas na prestação do serviço de energia elétrica.
As apurações alcançam as cidades de Altos, Brasileira, Currais e a região atendida pela Promotoria de Piripiri. Os casos envolvem tensão inadequada, quedas e oscilações no fornecimento, demora superior a um ano para instalação de energia e sucessivos adiamentos de obras prometidas pela concessionária.
A repetição dos problemas em cidades diferentes é observada com preocupação. Embora os processos ainda estejam em andamento, o conjunto das reclamações indica que os canais administrativos da empresa não estariam oferecendo respostas suficientemente rápidas e efetivas aos consumidores.
Reclamação pra todo lado
Em Altos, moradores dos bairros São Sebastião e São Luiz relataram oscilações constantes de tensão, com risco de prejuízo aos equipamentos elétricos. A própria Equatorial reconheceu, em manifestação apresentada durante uma reclamação na Agência Nacional de Energia Elétrica, a existência de níveis de tensão fora dos parâmetros regulamentares.
A concessionária informou que elaborou um projeto de melhoria e estabeleceu prazo até 31 de agosto de 2026 para concluir as intervenções. O Ministério Público quer saber quantas unidades consumidoras são atendidas pelo transformador da região e se houve compensação financeira para todas as pessoas afetadas.
Outro procedimento foi aberto pela Promotoria de Piripiri após uma consumidora relatar que pediu uma nova ligação com extensão de rede em fevereiro de 2025. O primeiro prazo terminou em março daquele ano. Depois, a empresa adiou o serviço para dezembro de 2025 e, posteriormente, para novembro de 2026.
Em Brasileira, uma moradora também aguarda desde maio de 2025 pela ligação de energia em sua residência. A Equatorial teria estabelecido prazos para agosto e dezembro de 2025 e, depois, para maio de 2026. Sem o serviço, a consumidora afirmou que continua pagando aluguel em outro imóvel, mesmo possuindo residência própria.
A empresa também responde a um processo coletivo relacionado à Rua Projetada 21, no bairro Estação, em Brasileira. Moradores denunciaram oscilações e quedas constantes. A Equatorial instalou oito postes e um transformador, mas ainda faltavam um último poste e os condutores necessários para energizar a rede.
A situação mais prolongada aparece na localidade Alegre/Poços, zona rural de Currais. Moradores afirmam que solicitam novas ligações desde maio de 2022. Somente após a intervenção do Ministério Público foram apresentados cronogramas com previsão de conclusão das obras entre outubro e novembro de 2026.
A Equatorial informou que possui projetos para atender três consumidores da localidade e alegou que uma quarta solicitação foi cancelada por ausência do padrão de entrada exigido. O caso continuará sendo acompanhado para verificar se as obras serão efetivamente realizadas.
População paga caro
A população paga um preço muito alto pela baixa qualidade dos serviços prestados pela concessionária. Esse custo não se limita ao valor mensal da conta de energia. Ele aparece nos equipamentos expostos a oscilações, no aluguel pago por quem não consegue ocupar a própria casa, no tempo desperdiçado em reclamações e na espera de anos por um serviço público essencial.
Não se pode concluir, antes do encerramento dos processos, que todas as irregularidades denunciadas estejam comprovadas. Entretanto, cinco procedimentos publicados simultaneamente, em diferentes regiões do estado, constituem um sinal relevante de que as dificuldades não são pontuais.
A energia elétrica não é um serviço acessório nem pode depender de sucessivas promessas de atendimento. Quando consumidores precisam recorrer ao Ministério Público depois de vários protocolos e prazos descumpridos, fica evidente que a relação entre a concessionária e a população precisa ser revista.
Cabe à Equatorial demonstrar, por meio da execução das obras e da regularização do fornecimento, que os cronogramas apresentados serão cumpridos. Também é necessário garantir transparência, comunicação eficiente e compensação aos consumidores quando forem confirmadas falhas que tenham causado prejuízos.
A quantidade de procedimentos em diferentes cidades coloca a empresa diante de uma cobrança objetiva: oferecer um serviço compatível com a importância da energia elétrica e com o preço social e financeiro suportado diariamente pela população piauiense.