O governo de Donald Trump afirmou que apoia o direito dos brasileiros de escolher seus representantes por meio de eleições livres e justas. A posição consta em uma carta do Departamento de Estado dos Estados Unidos, assinada na quinta-feira (15) e enviada à deputada norte-americana Delia C. Ramirez. O Metrópoles teve acesso ao documento, que também apresenta justificativas para as sanções impostas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e defende a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Na carta, o governo norte-americano afirma que pretende manter o diálogo com a população brasileira, o setor privado e o governo que assumir após as eleições. Segundo o documento, a intenção é promover a segurança, ampliar o comércio entre os dois países, estimular investimentos e fortalecer a prosperidade bilateral.
“Os Estados Unidos apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo”, afirma o texto.
A manifestação foi uma resposta a questionamentos apresentados por parlamentares democratas sobre a atuação da Casa Branca no Brasil às vésperas das eleições presidenciais. A carta foi assinada por Katherine Bowles, secretária-assistente do Bureau de Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, e encaminhada à deputada Delia Ramirez.
O documento também menciona o diálogo diplomático sobre governança democrática, independência judicial e integridade eleitoral. De acordo com a pasta, essas conversas ocorrem tanto em fóruns multilaterais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), quanto nas relações bilaterais com os países da região.
Atuação de Trump
A resposta norte-americana ocorreu após uma série de manifestações de parlamentares democratas contrárias à atuação do governo Trump em relação ao Brasil.
Em 24 de setembro, 31 deputados questionaram medidas econômicas, políticas e diplomáticas adotadas pela Casa Branca e cobraram um compromisso de respeito ao resultado das eleições brasileiras. Cinco dias depois, três senadores democratas também solicitaram garantias de que Washington aceitaria o resultado das urnas.
Já em 6 de outubro, outros 12 deputados acusaram o governo norte-americano de tentar interferir no processo eleitoral brasileiro e alertaram para possíveis consequências nas relações entre os dois países.
Na carta mais recente, o Departamento de Estado reiterou que pretende dialogar com o governo eleito, mas não detalhou quais medidas adotará para garantir o respeito ao resultado eleitoral.
EUA justificaram sanções contra Alexandre de Moraes
Outro ponto abordado na correspondência foi a aplicação de sanções contra Alexandre de Moraes, em julho de 2025. O Departamento de Estado afirmou que as medidas foram fundamentadas em evidências documentadas de supostas “graves violações dos direitos humanos”.
Para justificar a decisão, o governo norte-americano citou a Lei Global Magnitsky, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para sancionar pessoas acusadas de envolvimento em graves violações de direitos humanos ou corrupção.
Segundo a carta, Moraes teria abusado de sua posição ao autorizar prisões preventivas consideradas injustificadas por Washington e ao comprometer a liberdade de expressão.
O ministro, no entanto, foi retirado da lista de sancionados pela Lei Magnitsky em dezembro de 2025.