Alcolumbre vê 'drástica interferência' em operação feita no Congresso

Em nota oficial, presidente do Senado e do Congresso manifestou 'perplexidade'. Senador Fernando Bezerra, líder do governo, e o filho dele, deputado federal, foram alvos de ação da PF.

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (DEM-AP) classificou como "drástica interferência" a operação da Polícia Federal desta quinta-feira (19) que teve como alvos o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e do filho dele, o deputado federal Fernando Bezerra Coelho Filho (DEM-PE). 

Mais cedo, nesta quinta, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão nos gabinetes dos dois parlamentares. Alcolumbre afirmou que o Senado, do qual é presidente, questionará no Supremo a operação policial. 

"A drástica interferência foi adotada em momento político em que o Congresso Nacional discute a aprovação de importantes reformas e projetos para o desenvolvimento do país. Mostra-se, desse modo, desarrazoada e desnecessária, em especial pela ausência de contemporaneidade, pois os fatos investigados ocorreram entre 2012 e 2014", diz Alcolumbre em nota oficial. 

Na nota, Alcolumbre manifesta "perplexidade" com a operação de busca e apreensão no Senado e na Câmara, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, a pedido da Polícia Federal – a Procuradoria Geral da República foi contrária à operação por entender que não havia indícios suficientes de que o senador tentaria ocultar provas. 

Após a nota de Alcolumbre, o ministro Luís Roberto também divulgou notana qual afirmou que a decisão de autorizar busca e apreensões no Congresso a pedido da Polícia Federal foi "puramente técnica", "republicana" e "não envolveu prejulgamentos". 

O presidente do Congresso afirmou que a determinação da busca e apreensão tem o "potencial de atingir" o Poder Executivo, na medida em que Fernando Bezerra é o líder do governo no Senado. 

Alcolumbre disse que as buscas, classificadas por ele como de “extrema gravidade”, exigem ser analisadas pelo plenário do Supremo, “e não por um único de seus membros, em atenção ao princípio da harmonia e separação dos poderes”.