A nova passagem de Lula pelo Piauí confirmou o que o estado representa historicamente para o petista: um reduto inabalável do lulismo. Como sempre, o presidente recebeu uma demonstração massiva de apoio do PT e dos aliados do chamado “Time do Povo”, liderado pelo governador Rafael Fonteles, candidato à reeleição.
Cada vinda deixa lições. A principal é que Lula segue sendo o cabo eleitoral mais valioso do seu campo no Piauí. Dizer que é “do time de Lula” ainda é o maior ativo eleitoral aqui, e Rafael tem explorado isso com esmero.
No tabuleiro do Senado, a visita serviu para selar o apoio oficial à chapa Júlio César e Marcelo Castro. Lula, em viva-voz, confirmou os dois como seus candidatos e derrubou a especulação de que não gravaria ou não apoiaria Júlio. Mais que apoio, fez questão de atacar diretamente o adversário comum: o senador Ciro Nogueira, que disputa uma das duas vagas pela oposição.
O recado é claro: Lula quer eleger os dois e derrotar Ciro. A missão não é simples, mas é possível, desde que haja alinhamento total entre Marcelo e Júlio.
Foi aí que a visita expôs um descompasso.
Marcelo Castro correu por fora. Em seu discurso, individualizou a própria fidelidade a Lula, puxando para si o protagonismo diante do presidente. Pode ter sido involuntário, mas foi notado por todos.
Júlio César fez o caminho inverso. Reforçou a ideia de time. Contou sua trajetória de superação, de origem simples, e fez questão de citar e exaltar Marcelo como parceiro de chapa diante de Lula, do palanque e do público.
O resultado prático aparece nos números. A candidatura de Júlio vem em curva ascendente, registrada nas trackings internas. Faltando menos de um mês para a eleição, o cenário para o Senado está embolado.
Se a meta do Palácio de Karnak e do Planalto é eleger os dois nomes da base — tarefa difícil, mas não impossível —, Marcelo precisará realinhar o discurso. É hora de reordenar a agenda e formar uma chapa siamesa com Júlio, correndo juntos pelos dois votos que o eleitor tem para o Senado.
A maratona acabou. De hoje até 4 de outubro, a disputa será de 100 metros rasos. Vencem os dois que chegarem na frente.