O lançamento da candidatura do deputado federal Julio César ao Senado, que aconteceu ontem em Teresina, foi muito prestigiada por políticos e autoridades piauienses, entre elas, o governador Rafael Fonteles e o ministro Wellington Dias. O evento também contou com a presença do presidente do PSD, Gilberto Kassab, um dos principais articuladores no cenário político nacional. Porém, apesar de tamanho prestígio, foi impossível não perceber a falta de dois nomes que fazem parte da base aliada do governador: o vice-governador, Themistocles Filho e o deputado federal, Flávio Nogueira.
Themístocles Filho e Flávio Nogueira - Foto: Internet
Convenhamos que as decisões tomadas pelo governador Rafael Fonteles nos últimos tempos têm causado um desconforto entre alguns dos seu aliados. A retirada de Themístocles da vaga de vice e a escolha de Júlio César e Marcelo Castro para serem candidatos ao Senado, contrariando o que queria Flávio Nogueira, que defendia que uma das cadeiras no Senado pertencesse ao PT, geraram ruídos no ninho governista. Apesar disso, Fonteles tem adotado um discurso de tranquilidade e paz na base aliada.
Porém, as ausências de Flávio Nogueira e Themistocles Filho no evento de ontem demonstram que o clima talvez não esteja tão ameno. Ao que parece, o mdebista e o petista não se conformaram ainda com a chapa pré-formada e por terem sido "descartados" das posições que tanto almejavam. Pelo que parece, o MDB ainda não desistiu de reposicionar Themistocles na vaga de vice e Flávio Nogueira está esperando só a hora certa para reivindicar um papel mais relevante da ala do PT a qual ele faz parte ( e isso não inclui o destaque de um "Rafaboy"). Ambos tem se mantido quietos, esperando os desdobramentos das próximas decisões do governador, entre elas, quem será o escolhido para vice de Rafael em 2026.
Até lá, serão muitas especulações e declarações que deixarão sempre claro que a base pode até permanecer unida, porém os integrantes que fazem parte dela não estão alheios ao fato de que o maior interesse de Rafael Fonteles é apenas nele mesmo, na sua reeleição e na projeção do seu nome para alçar vôos que vão muito além dos limites da política piauiense e de seus meandros.
E que vôos são esses?
Informações de uma fonte, muito ligada a base governista, dão conta de que Rafael Fonteles já teria todo um plano montado para os próximos quatro anos. De acordo com essa fonte, quem pensa que a escolha para o seu vice seria visando a saída do governador para disputar o Senado em 2030, está muito enganado. O plano de Rafael é muito mais audacioso.
Lula e Rafael Fonteles - Foto: Internet
Rafael Fonteles quer se reeleger, trabalhar na reeleição do presidente Lula e já estaria construindo, em Brasília, um diálogo para ser convidado a comandar um ministério de alta relevância no governo federal. Duas pastas chamariam a atenção de Fonteles: Fazenda e Casa Civil. Com isso, o petista que é muito bem visto pela executiva nacional do partido, criaria prestígio e reconhecimento para ser candidato a presidência da República, apoiado pelo próprio Lula em 2030.
O acordo também prevê, segundo a fonte, a busca pela reeleição do seu vice, que será escolhido a dedo, afinal pode assumir os quatro anos de governo, caso o proprio Rafael vire ministro e, claro, o apoio para a recondução de Wellington Dias ao Senado Federal.
Porém, o que pode atrapalhar os planos de Rafael? A decadência na popularidade do governo Lula e o risco do presidente não conseguir se reeleger. Esse risco é iminente.
Mas a causa não está perdida. O governo federal ainda tenta reverter o quadro, melhorar os seus números e deve se apoiar em projetos como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil reais, passando a valer em pleno ano eleitoral, para tentar dar a volta por cima. Enquanto isso, Rafael segue transitando muito bem no Palácio do Planalto e construindo o alicerce para se tornar a menina dos olhos de Lula e ser a opção do PT para não sucumbir quando Lula, inevitavelmente, tiver que sair de campo.
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