A fama de ingrato que pesa sobre Silvio se sobrepõe a de “arrogante macio”. Para chegar a ser prefeito de Teresina pela primeira vez, cercou amigos próximos de Firmino pedindo que o indicassem. A estratégia deu certo. Firmino o indicou. O resto da história todos que acompanham política sabem. Silvio quis ser maior que Firmino e o rompimento foi inevitável. Com a morte do criador, a criatura se refez, depois de algumas derrotas, inclusive para o governo do estado.
Sempre se fazendo de “gostoso”, diz que não quer, querendo. Desfaz, querendo comprar, como fazem os bons negociadores. Sempre diz que “está sendo chamado”, mas que tem família para cuidar, netos para curtir, contudo sempre está lá, pronto para a candidatura.
Retornou à prefeitura com a vacância de Firmino e diante de uma gestão conturbada de Dr. Pessoa. Foi uma espécie de “tábua de salvação” para a cidade. Encontrou no senador Ciro Nogueira, no deputado Jeová Alencar, no presidente do Progressistas no Piauí, Joel Rodrigues, e em mais uma dezena de líderes, o apoio necessário para vencer a máquina do governo. Teve ainda a sorte de ter como oponente o PT, partido que historicamente não tem êxito na capital.
Tudo conspirou para que voltasse à prefeitura e assim aconteceu. Passados quase dois anos, a cidade segue inerte, com graves problemas acumulados. Ruas escuras, esburacadas e sujas, trânsito caótico, transporte público falido - e isso vem de muito antes - nenhuma grande obra, nada de inovador. Uma prefeitura isolada do povo, um prefeito sem energia e sem entusiasmo.
Para completar, quando os que o ajudaram a chegar onde está mais precisam dele, vem a marca da ingratidão. Se isola, usa o velho argumento de que tem que “cuidar da cidade”, se esquiva de levantar a voz em favor da causa e só aparece em poucas reuniões, ainda assim pálido e com sorriso amarelo.
Ciro, Jeová e Joel não falam, mas sentem o desprezo e a indiferença em uma campanha que poderia ser muito diferente na capital, já que o prefeito é beneficiário direto do grupo que batalha para vencer as eleições contra uma estrutura que comanda o Piauí há duas décadas e meia.
Se depender de Silvio, podem tirar o cavalinho da chuva.
E se Jeová acreditar que ele vai largar o osso para apoiá-lo na próxima eleição, também pode se preparar para o revés. Ele será candidato à reeleição.