A Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou a ocorrência de interferência política internacional e a disseminação de desinformação durante o processo eleitoral brasileiro. As observações constam em relatório divulgado nesta terça-feira (6).
Segundo o documento, manifestações de atores internacionais sobre a eleição chegaram ao ponto de incluir insultos direcionados a uma das candidaturas. A OEA, porém, não informou quem teria feito as declarações nem qual candidatura teria sido alvo.
A missão também registrou que as semanas anteriores ao primeiro turno foram marcadas pela circulação em larga escala de informações falsas. O relatório considera especialmente preocupante a divulgação de conteúdos enganosos sobre as eleições e de ataques sem fundamento contra o sistema eleitoral.
Apesar dos registros, o documento destaca que partidos e instituições adotaram medidas para tentar conter a desinformação.
A OEA também citou uma declaração do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que afirmou, após o primeiro turno, não terem sido identificados elementos que apontassem para interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
O relatório ainda menciona preocupações manifestadas por representantes políticos e da sociedade civil sobre declarações e iniciativas de atores internacionais que poderiam ter influência sobre a campanha.
OEA pede responsabilidade no segundo turno
A missão classificou a votação do primeiro turno, realizada no domingo (4), como uma jornada cívica e pacífica e fez um apelo para que candidatos, partidos e apoiadores mantenham um ambiente de respeito durante o segundo turno.
A organização pediu que atores brasileiros e estrangeiros atuem com responsabilidade, respeitando as instituições do país e a vontade dos eleitores. A recomendação é que a disputa seja concentrada em propostas e no debate de ideias.
Liderada pelo ex-secretário-geral da OEA e ex-ministro das Relações Exteriores do Chile José Miguel Insulza, a missão contou com 91 observadores de 23 nacionalidades. O grupo realizou mais de cem reuniões com autoridades, candidatos, partidos e representantes da sociedade civil.
A missão deverá retornar ao Brasil para acompanhar o segundo turno, marcado para 25 de outubro.